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Hipersensibilidade eletromagnética, a alergia invisível

08/05/2014

Um dor de cabeça estranha fez com que Marcelo* pedisse demissão. Uma náusea que surgia sempre que estava em frente à TV o fez desistir de jogar videogame. Aos poucos, as dores se espalharam por todo o corpo, as noites insones foram minando sua saúde e a prostração tomou conta da sua rotina. Achava que fosse morrer. Assim como milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, ele acredita sofrer de hipersensibilidade eletromagnética (ou EHS, na sigla em inglês), uma doença não reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que divide a comunidade científica. O problema seria causado pelas ondas emitidas por aparelhos como telefones celulares, roteadores wifi e fornos de micro-ondas, mas pesquisadores argumentam que nada comprova sua relação com tais sintomas. Desmentidas por médicos e vítimas do preconceito, pessoas como Marcelo acabam isoladas na tentativa de se livrar de uma doença-fantasma.
O primeiro país a se posicionar sobre o problema foi a Suécia, que em 1995 reconheceu a EHS como um comprometimento funcional — condição mais leve que a deficiência, significa que parte do corpo daquela pessoa não está exercendo suas funções corretamente. Na Espanha, a funcionária pública Minerva Palomar recorreu à Justiça e conseguiu, em 2011, ter sua aposentadoria por invalidez aprovada. No Canadá, nos Estados Unidos e na Europa há centros especializados em diagnosticar o problema. No entanto, nenhum país reconhece a condição como uma doença, e tanto no Brasil como em outros países da América do Sul a questão ainda é praticamente desconhecida.
Marcelo procurou um neurologista, um psiquiatra e um psicólogo, sem sucesso. Ele descobriu a EHS a partir de um programa de televisão, e suspeitou que uma rede de alta tensão em frente ao seu apartamento poderia ser responsável pelo eterno mal-estar. Pesquisou mais na internet, e se autodiagnosticou eletrossensível. Decidiu se mudar para uma casa no interior do estado, passou a evitar lugares com wi-fi, usa telefone celular apenas para emergências e chegou a cobrir as paredes do quarto com plástico metalizado, uma das técnicas difundidas na internet que diminuiriam a radiação. As mudanças lhe custaram o casamento.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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