
29/04/2014
Dois anos depois do incêndio na Estação Comandante Ferraz, na Antártica, a reconstrução da base ainda não tem data exata para terminar ou custo definidos, mas a Marinha estima que a obra será concluída em 2016. As pesquisas no local ficaram limitadas, mas não foram interrompidas. O prazo inicial de entrega era 2015, mas houve problemas técnicos e de logística em licitações. De acordo com a Marinha, a etapa atual é de estudos para definir os valores da reconstrução e já foram feitas análises geotécnicas e geofísicas do solo do local, que será o mesmo da antiga estação. Em maio deve ser aberta uma nova licitação com concorrência internacional.
A Estação Antártica Comandante Ferraz (ECAF), inaugurada em 1984, foi atingida por um incêndio em fevereiro de 2012, que matou dois militares. O acusado de ser o responsável pelo acidente, o suboficial Luciano Medeiros, foi absolvido na quarta-feira em primeira instância na Justiça Militar. A base fica ao norte do continente antártico, na Ilha do Rei George, onde há estações de pesquisa de vários países, como Coreia do Sul, China e Rússia.
A nova estrutura foi definida em abril do ano passado, por meio de um concurso de arquitetura promovido pela Marinha e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O trabalho selecionado, de Curitiba (PR), superou outras 73 propostas. A seleção exigiu que fossem utilizados materiais pré-fabricados e que a montagem não demorasse. Para não repetir a tragédia de 2012, a nova estação terá portas corta-fogo, no mínimo dez saídas de emergência e área externa para transferência de combustível, processo que gerou o incêndio na época.
O atraso na entrega, prevista antes para 2015 e agora para 2016, se deve principalmente à suspensão da licitação, marcada para dezembro do ano passado. Um dia antes da abertura dos envelopes com as propostas, as empresas interessadas apontaram questões técnicas e logísticas e o processo foi adiado. A Marinha afirma que deverá fazer uma licitação no mês que vem e que, no momento, já foram encerrados estudos geotécnicos e geofísicos do solo, e de remediação ambiental. Agora, estão sendo feitas análises para definir os valores da obra, que eram R$ 72 milhões inicialmente, mas dobraram em dezembro.
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