
24/04/2014
A floresta de transição da Amazônia na borda do cerrado é relativamente resistente ao fogo, mas quando ocorrem eventos extremos de seca, o bioma dominado pelas árvores começa a dar lugar a uma paisagem de savana.
Essa é a conclusão de um experimento de queimada que começou há dez anos e sugere que a mata amazônica é mais vulnerável à mudança climática do que se achava. O estudo foi publicado na revista científica "PNAS".
O teste foi conduzido em Querência (MT), em lotes dentro de fazendas do Grupo Maggi, ligado ao ex-governador Blairo Maggi. Os cientistas do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Centro de Pesquisas Woods Hole, de Massachusetts (EUA), tiveram acesso a três terrenos de 50 hectares cada um, e puderam incendiá-los de maneira controlada.
Os cientistas trataram de modo diferente cada um dos lotes de terra. Em um deles, foram realizadas queimadas todo ano. Em outro, de três em três anos. O último foi mantido sem fogo, apenas para efeito de comparação.
"Primeiro, queimávamos a floresta em um ano, e nada acontecia", conta Paulo Brando, do Ipam, que liderou a última fase do experimento. "Mas quando a gente queimou de novo num ano de seca [2007], o sistema se transformou, com entrada de capim, mudando todos os aspectos funcionais da floresta e os processos de seus ecossistemas."
Potencializado por um evento de seca -que ocorreu de novo em 2010-, o fogo limpava a mata, abrindo espaço para a entrada de gramíneas, e aquilo que era Amazônia começou a ficar um pouco mais parecido com savana.
É possível ver, por imagens de satélite, que a área queimada a cada três anos acabou ficando até mais degradada do que a área queimada anualmente, pois possuía mais "combustível", ou seja, mais madeira para torrar, durante o período mais seco.
Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo
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