
03/04/2014
As negociações internacionais a respeito da caça às baleias têm algo de surreal. Para começar, elas são geridas por um órgão, a CIB (Comissão Internacional da Baleia), que foi criado logo depois da Segunda Guerra Mundial, quando a caça industrial aos cetáceos estava ganhando força e os países baleeiros viram a necessidade de uma gestão internacional negociada dos estoques pesqueiros.
Isso significa que a CIB surgiu muito antes dos debates atuais sobre problemas ambientais ou desenvolvimento sustentável, e a comissão, em sua origem, enxergava as baleias como camarões, sardinhas ou qualquer outro recurso natural marinho.
Dos anos 1940 para cá, no entanto, houve uma explosão de conhecimento científico sobre cetáceos, demonstrando a complexidade comportamental e social dos bichos. Além disso, claro, o ambientalismo cresceu mundo afora. Esses dois fatores se combinaram para criar a moratória à caça comercial que vigora desde os anos 1980.
O problema é que, voltando aos aspectos algo surreais da CIB, a comissão é um órgão essencialmente voluntário. Entram nela – e saem dela– os países que quiserem, quando quiserem, ainda que não possuam histórico de interesse pela questão baleeira ou, aliás, ainda que não possuam nem litoral. Da mesma maneira, não há punições reais –a não ser um mero "ficar mal na fita"– para quem desobedece as determinações da comissão. Isso permitiu que Noruega e Islândia, por exemplo, permanecessem na CIB por anos mesmo praticando caça comercial ao arrepio da moratória.
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