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Falta de obras pode levar metrópoles a enfrentar escassez de água

25/03/2014

As dez maiores regiões metropolitanas do país podem enfrentar problemas de abastecimento de água na próxima década por terem deixado de fazer obras de infraestrutura hídrica, conforme alerta feito em 2011, quando a Agência Nacional de Águas (ANA) propôs uma lista de intervenções para os governos. A orientação, porém, ainda não foi totalmente cumprida. Das 16 obras mais importantes para as áreas citadas na última edição do Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água, cerca de 70% não começaram ou ainda estão em andamento, segundo levantamento feito pelo GLOBO. Apenas cinco projetos foram concluídos. O relatório sugeria investimentos de R$ 6,9 bilhões nessas dez regiões mais populosas.
A conclusão dos técnicos da ANA é que, se os governos não concluírem as intervenções necessárias até o ano que vem, cerca de 30% da população do país enfrentarão escassez de água a partir de 2025. Somadas, as dez principais regiões metropolitanas do Brasil abrigam 62,5 milhões de habitantes, de acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ambientalistas e engenheiros especializados em recursos hídricos argumentam que os atrasos na execução de obras ligadas a saneamento básico e abastecimento de água estão relacionados à dificuldade técnica para tocar projetos de grande porte, à falta de oferta de água perto dos centros urbanos e à demora para conseguir licenças ambientais e concluir as licitações.
- As regiões metropolitanas não têm fonte de água suficiente para abastecer uma demanda que não para de crescer. Por isso, o poder público precisa gastar mais dinheiro e ir buscar água cada vez mais longe -afirma o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.
O governo federal financia, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 12 das 16 obras. No Paraná, por exemplo, a União vai desembolsar parte dos R$ 87 milhões para construir uma represa planejada desde 2011 e que, até hoje, não começou a ser tocada. A barragem no Rio Miringuava, em São José dos Pinhais, deve dobrar a quantidade de água que a região retira deste rio.

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