
25/03/2014
O governo brasileiro vai pedir ao IPCC (painel do clima da ONU) para apagar de seu novo relatório uma crítica à política do uso de biocombustíveis como forma de atenuar o aquecimento global.
Na introdução não técnica da parte do documento sobre impactos e adaptações ao aquecimento global, uma frase sugere que o cultivo de vegetais para álcool e biodiesel pode incentivar desmate (que por sua vez gera mais emissão de gases do efeito estufa).
A afirmação desagradou a delegação brasileira, que pedirá uma correção no texto.
O trecho contestado afirma que "aumentar o cultivo de plantações para bioenergia implica riscos para ecossistemas e para a biodiversidade, apesar de contribuições da energia de biomassa para a mitigação [do aquecimento global] reduzirem riscos relacionados ao clima."
A frase está no "sumário para formuladores de política" --resumo não técnico do documento-- do relatório do grupo 2 do IPCC, que trata de impactos e adaptações à mudança climática. A delegação brasileira diz considerar injusto atacar os biocombustíveis sem que outras formas de energia tenham seus impactos relatados.
"Eles destacaram isso do nada" disse à Folha um representante do governo para a área de clima. Para ele, qualquer forma de energia tem algum impacto ambiental. "Naquela frase seria possível trocar biocombustíveis por produção de painéis solares, turbinas eólicas ou até o aumento das hidrelétricas."
O novo relatório do grupo 2 do IPCC deve ficar pronto no dia 30, após cinco dias de debate no encontro em Yokohama, no Japão. Os tópicos do sumário para formuladores de política tendem a ser disputados palavra a palavra, pois servem de base para negociações internacionais.
O documento subsidia a discussão sobre a criação de mecanismos de financiamento para países afetados pela mudança climática e o debate de um acordo global para cortes de emissões, que terá uma rodada crucial em 2015.
A matéria completa pode ser lida no Jornal da Ciência
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