
26/09/2013
Um estudo feito no sul da Bahia por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que sete espécies de peixe anteriormente comuns na região e usados na culinária local estão desaparecendo.
O levantamento, coordenado pelos biólogos Sergio Floeter, Natalia Hanazaki e Mariana Bender, foi realizado com base em entrevistas com pescadores que trabalham na região vizinha ao Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro.
Um total de 53 pescadores, de diferentes idades, foi convidado pelos pesquisadores a identificar, por meio de fotos, espécies de peixes que tradicionalmente vivem nessa costa. Eles responderam a perguntas sobre qual é o maior peixe de cada espécie que já haviam capturado e o ano em que isso ocorreu.
A conclusão foi que algumas espécies estão cada vez menos presentes nas redes dos pescadores, ou, quando estão, os peixes são menores do que em décadas passadas. São elas: o badejo-quadrado (Mycteropercabonaci), a garoupa (Epinephelusmorio), o dentão (Lutjanusjocu), a cioba (Lutjanusanalis), a guaiúba (Ocyuruchrysurus), o cherne (Hyporthodusnigritus) e o mero-gato (Epinephelusadscensionis).
Durante a pesquisa, ficou claro que pescadores mais velhos, com mais de 50 anos, haviam pescado peixes maiores que as pessoas mais jovens. O badejo-quadrado, por exemplo, era encontrado há 40 anos com quase 50 kg na região. Hoje, o mais comum é achá-lo com 17 kg.
Mais preocupante foi a constatação de que alguns peixes sequer são reconhecidos pelos pescadores mais jovens.
"Alguns indivíduos com menos de 31 anos não reconheceram espécies de peixes como o mero-gato e o cherne quando apresentados às fotos na entrevista", disse Mariana Bender.
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