
12/09/2013
Numa nação mergulhada em tensões políticas, esconde-se um pequeno santuário ecológico. Ponto de partida da Primavera Árabe, movimento que se espalhou pelo Oriente Médio derrubando ditadores, a Tunísia não é conhecida por dar ao mundo inovações para a preservação do meio ambiente. Mas, a apenas 12 km da movimentada capital Túnis, em um vale silencioso e isolado, cercado por pinheiros e oliveiras, cerca de 30 pessoas de diferentes países e formações profissionais mantém o sítio de Sidi Amor — um projeto de desenvolvimento sustentável, que realiza experiências de agricultura orgânica e ecoconstrução.
Mesmo com uma área de apenas quatro hectares, a propriedade coletiva abriga considerável biodiversidade, chamando a atenção de pesquisadores e entusiastas do mundo todo. Hoje, quem visita o local se encanta com as cores vibrantes e o aroma delicado que emana em meio ao clima seco do Mediterrâneo. Mas nem sempre foi assim. Em 2004, quando o pneumologista Taieb Ben Miled e sua mulher herdaram parte da terra, o terreno estava abandonado e acumulava lixo. As encostas haviam sofrido com o escoamento da água das chuvas.
Confiante no potencial do sítio, o casal recuperou a terra e, mesmo sem acesso à água, se lançou na produção de rosas. Amigos se juntaram e compraram mais hectares, decididos a proteger o ambiente e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento da região. Sem nenhum apoio governamental, o projeto foi crescendo. Perfurado a 180m, um poço passou a alimentar todo o sítio. Com 375 espécies, o roseiral se tornou o centro de três novos jardins — um parque floral com fauna de cinco continentes, um jardim de lazer e um outro medicinal, com quase 200 plantas exóticas. A prioridade é valorizar milhares de plantas ameaçadas de extinção na Tunísia, mas também introduzir espécies benéficas.
A educação ambiental também está no coração do projeto. Especialistas de vários países se encontram para trocar experiências, e aproveitam para ministrar oficinas para os jovens, ateliês interativos e outros projetos participativos. Ben Miled quer fazer de Sidi Amor uma espécie de “incubador de projetos”.
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