
29/08/2013
Numa profundidade de 2,5 km abaixo do fundo do mar, pesquisadores encontraram em rochas bactérias que se reproduzem apenas uma vez a cada 10 mil anos. Este é um dos exemplos que mostram como micro-organismos das profundezas da Terra têm um metabolismo extremamente lento e vida longa. Alguns cientistas chegam a compará-los a zumbis.
Vírus e fungos também foram observados nestas circunstâncias, segundo especialistas do Programa Integrado de Perfuração Oceânica. Os trabalhos deles foram apresentados durante a conferência Goldschmidt, que conta com mais de 4 mil geoquímicos e tem atividades até sexta-feira em Florença, na Itália.
De acordo com Fumio Inagaki, da Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar, os micróbios sobrevivem em concentrações muito baixas, em torno de mil para cada colher de chá com fragmentos de rocha, contra a bilhões ou trilhões de bactérias que normalmente seriam encontradas na mesma quantidade de solo na superfície.
Um dos maiores desafios dos cientistas é entender como estes micróbios conseguem energia suficiente para viver em profundidades tão grandes.
- Estamos ampliando os limites do que nós sabemos sobre o ciclo de vida do vírus - contou Beth Orcutt, do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences, em Maine, nos Estados Unidos, à BBC. - A discussão agora é: onde está o limite da vida? Em qual profundidade e temperatura?
Apesar do metabolismo lento, há pesquisadores sugerindo que a ação destas comunidades microbianas podem estar mudando a composição química das rochas profundas, e até mesmo do próprio planeta. Os micro-organismos teriam a capacidade de modificar o ciclo de carbono da Terra, influenciando inclusive os índices de emissão de dióxido de carbono na atmosfera ao longo da História.
Fonte: O Globo
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