
27/08/2013
Ali, tudo é perto, mas caso seja necessário ir um pouco mais longe, condução não falta. Restaurantes e centros culturais brotam por todos os lados, como se fossem farmácias no Leblon, ou shoppings na Barra da Tijuca. Pela manhã, é quilométrica a fila de carros e ônibus que disputam pedaços de asfalto para chegar lá, onde está a maior quantidade de escritórios da cidade. O movimento no Centro de segunda a sexta, no entanto, ainda contrasta com o deserto das noites e fins de semana.
Desde a década de 70, as ruas mais procuradas — por carros — da cidade perderam 24 mil, ou 20%, de seus habitantes. Se supusermos que eles, como muitos, encantaram-se com a Zona Oeste, podemos calcular que esta decisão não só aumenta os engarrafamentos como custa anualmente 17 mil toneladas de carbono em emissões, produzidas por seus deslocamentos diários ao Centro. Isto representa a emissão de 3 mil veículos a gasolina dando a volta ao mundo. Para absorver tudo isso, seriam necessárias 120 mil árvores, segundo os cálculos da ONG Iniciativa Verde. E os números poderiam ser três vezes maiores. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária do Rio (Cdurp), Alberto Gomes Silva, calcula que, em 15 anos, a área receba mais 70 mil habitantes.
A culpa não é, claro, do gosto dos cariocas, mas de décadas de abandono e de políticas restritivas em relação à habitação no Centro, só revogadas na década de 90. Pelo mundo, urbanistas e ambientalistas já perceberam: o movimento pendular diário deve ser evitado. Para fazer render investimentos em infraestrutura, amenizar engarrafamentos e a superlotação nos transportes públicos, as cidades precisam se adensar, em vez de se espalhar.
Leia a matéria completa em O Globo
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