
20/08/2013
Oscilações na órbita da Terra mergulham o planeta em frequentes Idades do Gelo, mas também ajudam a interromper estes períodos de temperaturas globais mais baixas. Este processo já é conhecido dos cientistas há mais de um século, mas um novo estudo publicado na edição desta semana da revista “Nature” indica que o gradual aquecimento da região Oeste da Antártica devido à maior radiação solar não só começou antes do que se imaginava como acelerou a mudança climática quando do início do fim da última Idade do Gelo, há cerca de 20 mil anos.
Até agora, os cientistas acreditavam que a última Idade do Gelo acabou no Hemisfério Norte 20 mil anos atrás, mas as evidências eram de que no Sul o aquecimento só teve início cerca de 2 mil anos depois, sugerindo que o nosso hemisfério apenas respondeu ao processo deflagrado pelo outro. Estas informações, no entanto, foram na sua maior parte levantadas a partir da análise de amostras de gelo coletadas no Leste da Antártica, a mais elevada e fria região do continente gelado.
Para o novo estudo, porém, os pesquisadores se concentraram em uma amostra colhida no lado oposto da Antártica. Alcançando uma profundidade de mais de 3 quilômetros, ela é uma das maiores já coletadas no continente e permite observar cerca de 68 mil anos da história climática da Terra. Até agora, os cientistas analisaram camadas da amostra que datam de até 30 mil anos atrás e verificaram que há 22 mil anos o Oeste da Antártica já estava se aquecendo.
- Nos acostumamos a ver a Antártica como este continente passivo à espera de outras coisas o afetarem, mas neste caso ela está mostrando sinais de mudanças bem antes de “saber” o que se passava no Norte – explica T.J. Fudge, aluno de doutorado da Universidade de Washington e um dos autores do artigo publicado na “Nature”.
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