
15/08/2013
Todo dia, todos os anos, casos como estes se repetem no Brasil. Animais silvestres são arrancados de sua segurança, sua liberdade. A imensidão da mata fica para trás. Finalmente o animal acaba em uma casa, o mesmo destino de todos aqueles retirados da natureza. Dizem que o tratam como um filho, mas a coleira ou corrente em volta da cintura não deixa dúvidas: é um prisioneiro.
O tráfico de animais silvestres empobrece nossas matas e rouba a liberdade de milhões de seres vivos. O cativeiro ilegal como um silencioso escoadouro suga nossa fauna para um mundo invisível de sofrimento. A alimentação é inadequada, as gaiolas são pequenas ou correntes, curtas. O pássaro não voará, o macaco não saltará. Já viram uma arara voando? Quando virem, perceberão que elas não foram feitas para enfeitar viveiros, embelezam melhor os céus.
O macaco Chico que, aliás, descobriu-se ser Carla, é um exemplo típico. A macaca passou 37 anos com uma família de São Carlos (São Paulo) e foi retirada da família pela Polícia Militar Ambiental no último dia 3 de agosto. A decisão provocou indignação da família e dos vizinhos. Dois abaixo-assinados na web pediram para que ele fosse devolvido à família.
Mesmo que bem intencionado, o cativeiro não atende às necessidades de um animal silvestre. Ele adoece por alimentação inadequada, atrofia os músculos, pois não possui espaço e causa transtornos psicológicos ao privá-los do convívio com a própria espécie. Rouba-lhes todos os anos de sua vida ou, muitas vezes, toda a sua juventude.
A atenção real dispensada a ele foi tão superficial e o conhecimento de sua biologia tão precário que nem se soube lhe definir o sexo, isto apesar de macacos possuírem pênis visíveis. Cuidados veterinários também são comprometidos. Usualmente se critica o traficante e ele realmente é o elo mais nefasto da cadeia do tráfico de animais silvestres. Mas se deve questionar: por que o traficante existe? A resposta é óbvia, mas em geral não gostamos de considerá-la. O traficante existe porque existem as pessoas que compram ou aceitam os animais silvestres. Assim, acabar com o tráfico de animais é fácil. Depende da conscientização de que o cativeiro é perverso para o animal. O carinho será apenas um paliativo a todas as suas necessidades usurpadas.
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