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Ameaça transparente

15/08/2013

Elas são quase invisíveis, mas a transparência engana. As medusas, ou águas-vivas, têm uma aparência etérea, quase singela, mas o contato com elas pode ser doloroso ou até mesmo fatal. Que o diga os moradores das praias do Mar Mediterrâneo que, inadvertidamente, entram na água nos meses de verão e se deparam com diversas espécies e suas consequências quando encostam na pele humana. Os seres vivos são conhecidos há milênios e sempre fizeram parte dos oceanos. Mas nos últimos anos, uma explosão no número de banhistas picados por medusas está alarmando as autoridades e cientistas dos países costeiros, preocupados com a segurança de turistas e o futuro da biodiversidade marinha local.
Cerca de 150 mil pessoas têm sido tratadas anualmente por machucados ligados a picadas de medusas às margens do Mar Mediterrâneo. As orlas mais atingidas são as de Grécia, Espanha, Sardinha, Sicília, Malta, Israel e Líbano. Não há registo de mortes, porque as espécies mais comuns na região não contêm venenos fatais ao ser-humano, mas as picadas podem causar queimaduras, dor, ardência, náuseas e cãibras musculares. O aumento de casos começou a ser detectado há pouco mais de uma década por nadadores, pescadores e pesquisadores amadores. Mas, em pouco tempo, virou assunto sério.
A pesca apresentam impacto imediato. Alguns governos de países mediterrâneos cogitam a implantação de redes em alto mar para afastar as medusas da costa. O problema é que essas redes atrapalhariam também o resto da vida marítima. A abundância e o poder reprodutivo das criaturas gelatinosas é tanta que, para pesquisadores, se a multiplicação das águas-vivas continuar, é possível que elas suplantem os peixes nos oceanos.
— As medusas têm muita influência incrível no meio-ambiente. Além da sensação não simpática na pele, elas influenciam demais na pesca. No verão, os pescadores dos países afetados não podem sair para o mar, porque sabem que vão pegar mais medusas do que peixes – diz a pesquisadora israelense Tamar Lotan, da Universidade de Haifa, Norte de Israel.

Saiba mais em O Globo

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