
16/07/2013
A tão falada biodiversidade brasileira soa mais como ficção do que realidade para quem deseja conhecer as riquezas naturais do país. Boa parte de nossos mais exuberantes cenários está guardada a sete chaves nos parques nacionais. Em tese criados para oferecerem à população uma oportunidade de apreciar plantas, animais e paisagens naturais, os parques são território hostil para turistas. Caminhos com orientação são mais escassos do que espécies em extinção. É mais fácil deparar-se com a rãzinha Physalaemus soaresi, o anfíbio que motivou o adiamento da construção do Arco Metropolitano do Rio, do que encontrar trilhas sinalizadas na maioria dos parques brasileiros.
Outra ave rara é a autorização para pernoitar em abrigos, embora estes tenham sido concebidos para receber visitantes. Guias treinados são menos comuns do que micos-leões-dourados. Campeão mundial em diversidade de espécies, o país marca gol contra quando a ideia é exibir seu patrimônio. O Programa Parques da Copa - cuja meta é divulgar a imagem do Brasil no exterior como o mais rico do mundo em florestas e tesouros naturais - bate na trave da burocracia e em gestão ultrapassada. Por enquanto, o projeto, gerido pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e Turismo (MTur), sequer tem recursos específicos.
Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável no MMA pelos parques nacionais, Roberto Vizentin admite que o programa foi esvaziado. Inicialmente, previu-se que 23 unidades estavam entre as prioridades para 2014. Hoje, são 14 - 12 parques (sempre públicos, e que não permitem a ocupação humana) e duas áreas de proteção ambiental (estas podem ser privadas e habitadas).
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