
27/06/2013
As Nações Unidas recomendam: o consumo de insetos e as florestas onde eles vivem são ferramentas de combate a fome. O assunto esteve na pauta da Conferência da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, no sábado dia 15/06, em Roma.
Mas essa proposta esbarra em uma questão cultural e, no Brasil, a viabilidade é questionável. "O México vende gafanhotos em lata. Na China, tem churrasco de escorpião. Para nós (brasileiros) é difícil. Vai ser complicado. Vai demorar alguns anos", comenta a bióloga Waleska Bretas, da Univale, em Minas Gerais.
A mudança de padrão no Brasil ocorreria "só mesmo em caso de necessidade extrema ou costume", avalia Bretas. "Como em algumas populações indígenas da Amazônia, que já comem larvas de coqueiros e besouros", adiciona.
Existem, no entanto, outras maneiras de usar a floresta como aliada para alimentar a população, defende Yeda Maria Malheiros, pesquisadora da Embrapa há 35 anos no Paraná. "E estamos perto de uma revolução", afirma. A solução que o Brasil testa é integrar as matas e as áreas cultiváveis para produzir comida sem degradar o meio ambiente.
Para Yeda, a solução pode estar no programa Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que incentiva produtores rurais a cultivar de forma sustentável na própria terra. A lei foi sancionada em abril deste ano e passa a valer a partir de novembro. A Embrapa vai fornecer toda a tecnologia para provar que a diversificação de culturas e o replantio de florestas podem melhorar a qualidade da produção rural e gerar lucros.
O programa quer, na verdade, manter a agricultura e evitar que a mata nativa se acabe - uma forma indireta de usar as florestas no combate a fome. Na visão da Embrapa, essa é a resposta do Brasil frente à crescente demanda mundial por alimentos.
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