
25/06/2013
Almejada há quase cinco séculos por exploradores ávidos por riqueza e reconhecimento, a Passagem Noroeste, lendária ligação entre a Eurásia e as Américas, em pleno Oceano Ártico, será atravessada pela primeira vez por um veleiro científico. Os pesquisadores do Tara Oceans, uma expedição que conta com colaboradores de 17 países, querem descobrir os segredos escondidos nas banquisas árticas, atingidas de forma dramática pelo aquecimento global. A aventura não seria possível há alguns anos. O degelo do Ártico no ano passado quebrou recordes, mas deve ser novamente superado no próximo verão do Hemisfério Norte, em setembro, segundo preveem os cientistas desta expedição. O alerta vermelho atinge, assim, um tom acima.
O canal, antes bloqueado por placas de gelo, se abriu pela primeira vez em 2007. Ali se deu um recorde de degelo que impressionou a comunidade científica. Ninguém esperava que isso acontecesse tão cedo. No ano seguinte, contudo, veio uma nova surpresa: tanto este canal, no topo do Canadá, quanto a Passagem Nordeste, acima da Rússia, se abriram ao mesmo tempo pela primeira em 125 mil anos — estima-se que a última vez fora em plena Era do Gelo. Assim, revelou-se aos homens, ainda ávidos por riqueza e reconhecimento, uma nova rota marítima, que permitiu a circunavegação do Ártico. De lá para cá, a situação só se agravou e, em 2012, veio o novo recorde de degelo, facilitando ainda mais o acesso ao Ártico.
É esta a rota do veleiro Tara, cuja viagem começou no mês passado e vai até dezembro. A aventura percorre um dos últimos lugares selvagens da Terra e, ironicamente, o mais afetado por transformações no clima associadas à ação humana. Seu objetivo é conhecer os segredos guardados nas águas geladas do Polo Norte e, como arremate, alertar a comunidade internacional sobre os perigos de não proteger o chamado ar-condicionado do mundo. Caso o gelo ártico derreta, ele dará lugar às águas escuras do oceano, que absorvem a luz do sol em vez de refleti-la, o que acelera os efeitos do aquecimento global. É claro que, durante o inverno, o mar volta a congelar, mas o derretimento do gelo supostamente eterno e sua substituição por banquisas recém-formadas torna a estrutura ainda mais vulnerável ao aumento das temperaturas.
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