
03/01/2013
A cada minuto, 28 animais são atropelados nas estradas brasileiras. Carros, motos e caminhões retiram a vida de 14,7 milhões de bichos por ano (40,8 mil a cada dia), de acordo com estimativas de especialistas. É um massacre que, muitas vezes, sequer é percebido pela maioria dos motoristas. Como a quantidade de rodovias monitoradas no país é reduzida, a estimativa é que essas estatísticas estejam subestimadas. Nos Estados Unidos — onde o controle é bem mais rigoroso — os números são cerca de 25 vezes maiores: 365 milhões de animais mortos por ano (um milhão por dia).
A principal causa direta de mortalidade de animais vertebrados no Brasil é o atropelamento, ressalta o biólogo Rodrigo Santos, analista ambiental do Instituto Brasília Ambiental (Ibram, órgão executor de políticas públicas ambientais e de recursos hídricos no Distrito Federal). Desde 2010, ele faz parte do grupo que monitora as estradas que passam perto de cinco unidades de conservação do DF. De abril daquele ano até setembro último, os especialistas do projeto Rodofauna observaram 2.324 animais mortos em 25.170 quilômetros percorridos. A grande maioria (86,4%) foi de animais silvestres.
— É notório o atropelamento de propósito, principalmente de cobras, muitas vezes no acostamento. Esse comportamento é cultural no país: tem que matar bicho — afirma Santos. — É raro, mas, às vezes, conseguimos encontrar os animais ainda vivos. Há pouco tempo resgatamos uma fêmea de gambá ou saruê. Ela tinha quatro filhotes, um deles sobreviveu e acabou sendo encaminhado para o centro de triagem.
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