
27/08/2026
A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C no último sábado (22), o maior valor diário já registrado, segundo dados divulgados pelo observatório europeu Copernicus nesta segunda-feira (24).
A nova máxima superou, por uma pequena margem, os 21,09°C registrados em março de 2024, que até então representavam o recorde da série utilizada pelo serviço climático europeu.
O dado considera a temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares.
Para acompanhar essas temperaturas, o Copernicus considera dados a partir de 1979, quando as medições por satélite passaram a permitir um acompanhamento mais preciso dos oceanos.
➡️ Além do valor em si, o momento em que o recorde aconteceu é considerado incomum.
As temperaturas médias globais da superfície do mar costumam atingir seu ponto mais alto entre março e abril, após o verão no Hemisfério Sul, que concentra uma parcela maior da superfície oceânica do planeta.
Desta vez, porém, o recorde foi alcançado neste mês de agosto. A temperatura também ficou acima da maior marca anterior para o mês, de 20,98°C, registrada em 2023.
Segundo o Copernicus, o novo pico ocorre após uma sequência de meses com temperaturas recordes ou muito próximas dos maiores valores já observados nos oceanos ao longo de 2026.
“Este recorde é mais um sinal claro de um oceano sob pressão crescente”, afirmou Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do ECMWF, centro que coordena os dados do Copernicus.
O recorde também acontece em meio ao desenvolvimento de um El Niño forte no Pacífico tropical.
🌊 ENTENDA: O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial. Ele altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta e costuma contribuir para a elevação da temperatura média global.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno deve continuar ganhando força nos próximos meses. As previsões sazonais do Copernicus indicam que o episódio pode alcançar níveis pouco vistos nas últimas décadas.
O El Niño, no entanto, não explica sozinho o calor observado agora.
O próprio Copernicus ressalta que o fenômeno está acrescentando calor a oceanos que já vêm aquecendo há décadas por causa das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas.
“O El Niño está adicionando calor ao sistema, mas faz isso sobre décadas de aquecimento causado pelo homem”, disse Burgess.
A diferença é que o El Niño é um fenômeno natural e temporário. Já a tendência de aquecimento dos oceanos ocorre no longo prazo e está relacionada principalmente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
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