
02/07/2026
A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu no fim de junho o maior nível já registrado para esse período, aponta o observatório europeu Copernicus.
Duas análises independentes mostram que, em 21 de junho, os mares superaram as marcas observadas na mesma data em 2023 e 2024.
Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus, a média chegou a 20,86°C, acima dos 20,83°C registrados nos dois anos anteriores.
Já o Serviço Marinho do Copernicus apontou uma temperatura de 21°C, cerca de 0,1°C acima das marcas de 2023 e 2024.
Os dados consideram os oceanos fora das regiões polares, entre 60 graus de latitude Norte e 60 graus de latitude Sul.
Segundo o observatório europeu, nos últimos três anos, essa área ficou entre 0,35°C e 0,73°C mais quente que a média histórica.
Em junho, a diferença atingiu o maior nível já observado para esse período do ano.
O novo recorde ocorre em meio ao início de um novo episódio de El Niño e a temperaturas excepcionalmente altas registradas em diferentes regiões dos oceanos nos últimos meses.
O fenômeno foi anunciado pela Organização Meteorológica Mundial em 2 de junho e declarado pela agência meteorológica dos Estados Unidos, a NOAA, no dia 11.
🌊 ENTENDA: O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial. Ele altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta e costuma contribuir para a elevação da temperatura média global.
Segundo o observatório europeu, o recorde também está relacionado ao calor intenso registrado no norte do Oceano Pacífico.
Ainda não é possível afirmar se a marca observada em junho será temporária ou se as temperaturas permanecerão elevadas nos próximos meses.
As previsões sazonais do Copernicus, porém, indicam que o atual El Niño pode atingir uma intensidade não observada há décadas.
“As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, levando novamente a um território desconhecido”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus.
“Com as temperaturas dos oceanos nesses níveis e o El Niño no horizonte, provavelmente veremos novos recordes de temperatura nos próximos meses”, acrescentou.
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