
02/07/2026
Nem a imensidão do Atlântico tem conseguido diluir o volume de cocaína, medicamentos e inseticidas que chega ao mar pelo esgoto no Rio de Janeiro. Um estudo recém-publicado mostra que tubarões e raias da costa carioca já apresentam sinais de contaminação por substâncias consumidas por humanos.
A pesquisa encontrou cocaína e benzoilecgonina, substância derivada da cocaína, além de diclofenaco, piroxicam, sulfametoxazol e fipronil em animais jovens. Os compostos incluem anti-inflamatórios, antibiótico e inseticida.
O alerta vai além da poluição marinha. Para os pesquisadores, a presença dessas substâncias nos peixes indica que uma quantidade enorme de drogas, lícitas e ilícitas, está sendo lançada no ambiente. Parte delas é expelida pela urina, segue para rios, redes de esgoto e emissários submarinos e termina no oceano.
“Para haver contaminação é preciso haver um consumo gigantesco dessas substâncias”, afirmou Rachel Ann Hauser-Davis, bióloga do Laboratório de Avaliação e Promoção de Saúde Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e primeira autora do estudo.
Os cientistas analisaram músculos, fígado e cérebro de raias-borboleta (Gymnura altavela) e tubarões-martelo (Sphyrna lewini) doados por pescadores artesanais do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.
O número de amostras foi pequeno, sete no total. Ainda assim, a detecção dos contaminantes em animais jovens chamou a atenção dos pesquisadores. Para eles, o resultado indica exposição recente ou contínua.
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