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ONU propõe novo modelo para medir progresso além do PIB

26/05/2026

A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou uma nova proposta de indicadores globais para avaliar o progresso dos países para além do Produto Interno Bruto (PIB). Elaborado pelo Grupo de Especialistas de Alto Nível sobre o tema “Além do PIB”, o relatório busca colocar as pessoas e o planeta no centro das decisões políticas e econômicas, reduzindo a dependência exclusiva do PIB como principal parâmetro de desenvolvimento. O documento foi apresentado no último dia 7 de maio, durante sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Na ocasião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou as limitações do indicador econômico tradicional. “O PIB ignora as atividades humanas que sustentam a vida e contribuem para o bem estar”, afirmou.
O relatório, divulgado pelo Grupo de Especialistas de Alto Nível do secretário-geral da ONU, propõe o primeiro plano global para orientar países na avaliação de progresso além do PIB. A iniciativa apresenta um painel de indicadores aplicáveis internacionalmente, concebido como uma nova bússola para medir avanços sociais, ambientais e econômicos voltados às pessoas e ao planeta. Há décadas, o PIB orienta decisões políticas em diferentes níveis ao redor do mundo. Embora continue sendo uma ferramenta importante para medir a produção econômica, a ONU alerta que sua utilização isolada oferece uma visão limitada do desenvolvimento, permitindo que a economia cresça mesmo diante do agravamento de fatores essenciais, como segurança e qualidade ambiental.
Segundo o relatório, a necessidade de ampliar essa compreensão sobre progresso tornou-se urgente. Em um contexto de crescente descrença nos sistemas econômicos e políticos e de agravamento das crises ambientais, o crescimento contínuo do PIB já não é suficiente para refletir a realidade vivida pelas populações. Durante a reunião da Assembleia Geral, a copresidente do Grupo de Especialistas de Alto Nível, Nora Lustig, ressaltou as falhas do indicador econômico tradicional. “O PIB ignora a desigualdade e a pobreza. Ele não capta a degradação ambiental. Ele não considera dimensões não monetárias do bem estar, como saúde, educação e paz”, declarou.
Com o título Contando o que Conta: Uma Bússola de Progresso para as Pessoas e o Planeta, o relatório atende a um mandato dos Estados-membros da ONU estabelecido no âmbito do Pacto pelo Futuro. A proposta prevê a criação de um arcabouço universal de indicadores capaz de complementar o PIB. “O PIB é o indicador mais utilizado para medir o progresso econômico e o bem estar. Continuará a ser um indicador importante. Mas não pode ser o único. Por definição, o Produto Interno Bruto oferece uma imagem clara e concisa da produção de um país baseada no mercado. Sua abrangência é deliberadamente restrita. Mas está sendo utilizado atualmente de uma maneira que seus formuladores nunca tiveram a intenção.” – António Guterres, secretário-geral da ONU, 7 de maio de 2026
No centro da proposta está um painel conciso e pronto para uso, estruturado para oferecer uma avaliação mais ampla do progresso, incorporando critérios de bem estar, equidade, inclusão, sustentabilidade e resiliência. A iniciativa utiliza como base os indicadores globais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e sistemas estatísticos já consolidados, permitindo implementação imediata pelos governos. A ONU destaca ainda que o relatório se apoia em décadas de discussões internacionais sobre desenvolvimento sustentável, incluindo a Agenda 2030 e o Pacto pelo Futuro, sendo considerado um marco em um processo geracional de revisão das métricas de progresso.
O copresidente do Grupo de Especialistas de Alto Nível, Kaushik Basu, explicou que a proposta não busca rejeitar o crescimento econômico, mas ampliar seu significado. “Crescimento pode significar muitas coisas. Crescimento na educação. Crescimento nas artes e lazer. Melhor saúde. Mover-se para além do PIB não significa evitar o crescimento econômico, mas sim refletir o progresso através das dimensões críticas do bem estar para as pessoas e para o planeta. Isto é o que esperamos capturar em nosso relatório”, afirmou.

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