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Moringa pode remover até 98,5% dos microplásticos da água

12/05/2026

Uma árvore conhecida por suas propriedades medicinais há milhares de anos também pode ajudar a humanidade a enfrentar o problema da poluição por microplásticos. A moringa, frequentemente chamada de “árvore milagrosa”, conquistou essa reputação no passado por suas qualidades curativas e nutricionais, mas um estudo recente revelou um novo potencial: a capacidade de filtrar microplásticos da água com eficácia semelhante à de soluções baseadas em metais pesados.
Quando utilizadas em uma máquina que simula o funcionamento do tratamento de água municipal, as sementes de moringa conseguiram filtrar 98,5% das partículas de microplástico de PVC, um dos tipos mais nocivos. O resultado chama a atenção diante da dimensão global do problema. Os microplásticos, que variam de fragmentos visíveis a partículas microscópicas com até 1/25.000 da espessura de um fio de cabelo humano, já foram encontrados em praticamente toda a Terra, das correntes de jato às profundezas dos oceanos.
Essas partículas também têm sido detectadas em todos os órgãos humanos examinados, do cérebro à placenta. Estima-se que uma pessoa comum possa consumir, apenas por meio da água potável e do ar urbano, o equivalente a até 10 cartões de crédito em plástico por ano. Embora ainda não haja consenso sobre os impactos diretos disso na mortalidade, já se sabe que o plástico atua como um disruptor endócrino, interferindo na sinalização e na recepção hormonal do organismo.
Diante de um cenário que tende a se agravar com o aumento da produção e do consumo desse material, cresce a urgência por soluções eficazes. O Dr. Adriano Gonçalves dos Reis, professor do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista, estuda a moringa há anos e aponta suas sementes como uma alternativa promissora no combate à poluição por microplásticos. Nos testes realizados, os pesquisadores avaliaram o potencial das sementes como coagulante, capaz de agrupar partículas dispersas na água e depois removê-los. Para isso, o PVC foi previamente degradado até atingir partículas com cerca de um quarto da espessura de um fio de cabelo humano. Em seguida, a água contaminada passou por um circuito de coagulação, floculação e filtração, processo utilizado em sistemas modernos de tratamento.
Os resultados mostraram que a moringa alcançou 98,5% de eficácia na remoção de microplásticos, desempenho comparável ao do sulfato de alumínio, conhecido como alúmen, padrão sintético amplamente utilizado. No entanto, o alúmen é um metal pesado tóxico, associado a distúrbios neurológicos, o que levanta preocupações sobre seu uso contínuo. Além disso, as sementes de moringa se mostraram ainda mais eficientes em águas mais alcalinas. Uma única semente é capaz de tratar até 10 litros de água, embora a aplicação em larga escala urbana exigisse grandes quantidades e gerasse volumes significativos de resíduos orgânicos.
Por outro lado, o próprio uso do alúmen também traz desafios: o processo produz uma lama tóxica que precisa ser descartada, e a extração do alumínio é ambientalmente custosa. Nesse contexto, o Dr. Gonçalves dos Reis acredita que o método com moringa pode ser especialmente útil em comunidades menores, onde o acesso ao alúmen é limitado ou caro. Cultivada em regiões tropicais para alimentação, fins medicinais e produção de mel, a moringa já faz parte do cotidiano de muitas comunidades rurais. Nesses locais, o aproveitamento das sementes para filtragem de água pode representar uma solução acessível, sustentável e integrada à realidade local.

Fonte: CicloVivo

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