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Governo de Goiás quer liberar mineração na Chapada dos Veadeiros

12/05/2026

O Governo de Goiás decidiu, ainda durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), fazer a revisão de regras ambientais para tentar abrir espaço à mineração na Chapada dos Veadeiros. O objetivo é, entre outros, ampliar a oferta de projetos de minerais críticos no estado.
Goiás foi governado até o fim de março por Caiado, que renunciou para ser candidato à Presidência da República. Hoje, o chefe do Executivo é Daniel Vilela (MDB).
Caiado foi procurado na sexta-feira (8) pela reportagem para comentar o assunto, mas sua assessoria orientou que o tema fosse tratado pela atual gestão.
Por meio de nota, a atual administração estadual declarou que "está equivocada a premissa" de que seu objetivo seja flexibilizar a mineração na área.
Conforme informações obtidas pela Folha, há mais de 130 projetos ativos de pesquisa e exploração de minerais estratégicos voltados para a Chapada dos Veadeiros, uma região reconhecida internacionalmente por sua diversidade natural.
Para liberar os projetos, o governo deu início à revisão do plano de manejo da APA (Área de Proteção Ambiental) de Pouso Alto. Essa unidade de conservação estadual funciona como uma espécie de cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no centro da área estadual e ligado ao governo federal.
A Chapada dos Veadeiros é conhecida por suas dezenas de cachoeiras e trilhas. Só o parque nacional, que é apenas uma parte dessas atrações, recebe cerca de 70 mil visitantes anualmente.
O que o governo do estado quer, na prática, é mexer nas regras do que pode ser feito dentro da APA. No plano de manejo atual, as normas aplicadas à área da Chapada dos Veadeiros funcionam como uma barreira a atividades de alto impacto. A revisão em curso quer substituir essa lógica por um modelo de "compatibilização" entre mineração e conservação ambiental.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que a Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) de Goiás criou um grupo de trabalho para discutir a mineração na área. A avaliação é que "a exploração mineral em APA é juridicamente possível", se o plano de manejo for alterado.
Um levantamento feito pela Semad, ao qual a Folha teve acesso, mostra que 496 processos minerários já foram registrados na ANM (Agência Nacional de Mineração) para pesquisa e exploração dentro da APA. Esses projetos somam 527 mil hectares cercando todo o parque nacional. São 5.270 km², superior ao triplo da área do município de São Paulo.
Ao menos 131 processos estão ligados a minerais críticos, sendo 31 de terras raras e cassiterita. Outros 98 miram o manganês, usado em produção de baterias e armazenamento de energia. A lista inclui, ainda, projetos de níquel, um dos mais cobiçados por China e Estados Unidos.

Saiba mais na Folha de S. Paulo

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