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Pântanos do Iraque ressurgem após período devastador de seca

12/05/2026

Após anos de seca que deixaram grandes extensões dos pântanos históricos do Iraque rachados e vazios, a elevação dos níveis de água está começando a reviver as áreas alagadas.
Nos pântanos de Chibayish, no sul do país, canoas voltam a deslizar por cursos d´água que haviam secado, em regiões que tinham sido abandonadas. Búfalos atravessam áreas alagadas restauradas e manchas de pastagem verde reapareceram.
"Há algum tempo, todo o nosso gado morreu e não havia água nenhuma", disse Haidar Qassem, um criador de búfalos no pântano central. "Muitos da nossa comunidade migraram devido à seca".
Qassem acrescentou, ainda, que a água havia retornado este ano, o número de animais estava se recuperando e algumas famílias haviam voltado.
Dois fatores afetam a região: a falta de chuva e obras de infraestrutura que represaram os rios que alimentam os pântanos.
Agora, após fortes chuvas elevarem os níveis dos reservatórios, o ministério de recursos hídricos do Iraque passou a liberar volumes crescentes para os pântanos. Mas os moradores ainda esperam por mais liberações de água.
Segundo o especialista em pântanos iraquianos Jassim al-Assadi, a área de Ishan Hallab havia secado completamente entre 2021 e 2025, forçando os criadores a abandoná-la. Alguns consideram o local como o bíblico Jardim do Éden e foi designado como Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) em 2016.
Nos últimos meses, as condições mais úmidas ajudaram a restaurar Ishan Hallab, revivendo as pastagens e permitindo o retorno de alguns moradores.
Al-Assadi disse que a proporção de pântanos submersos havia subido para entre 32% e 36%, em comparação com não mais que 8% nos últimos cinco anos, uma avaliação confirmada por autoridades iraquianas de recursos hídricos.
A cheia também proporciona uma recuperação gradual da biodiversidade. Ela possibilita o aumento nas populações de peixes e faz crescer a vegetação, como os juncos usados na construção de casas tradicionais.
Os Árabes dos Pântanos habitam a região há milhares de anos, e seus meios de subsistência e tradições estão intimamente ligados à água.
Mazin Wadai, funcionário de recursos hídricos, disse que maiores fluxos de entrada, melhor gestão da água e chuvas sazonais mais intensas aumentaram as reservas nas barragens. Isso elevou os fluxos no Tigre e no Eufrates, permitindo que mais água chegasse aos pântanos.
O ministério de recursos hídricos disse que as reservas estratégicas do Iraque aumentaram cerca de 6 bilhões de metros cúbicos este ano, dando às autoridades maior flexibilidade para gerenciar o abastecimento durante os meses de verão (que inicia em junho no país).
Os pântanos do Iraque se estendiam por mais de 9.500 km², mas Saddam Hussein os drenou amplamente na década de 1990. Ele acusou os Árabes dos Pântanos de traição durante a guerra de 1980-1988 com o Irã, em uma tentativa de eliminar insurgentes.
Muitos moradores fugiram, mas desde a queda de Saddam, em 2003, partes das áreas alagadas foram reinundadas pelo governo, com cerca de 250 mil Árabes dos Pântanos retornando gradualmente.
Para moradores como o criador de búfalos Raheem Abdul Zahra, as melhorias recentes transformaram a vida cotidiana. "A terra estava seca, mas agora está viva novamente", disse ele.

Fonte: Folha de S. Paulo

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