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Santa Marta é marco na transição dos combustíveis fósseis

05/05/2026

Em um momento em que a cooperação global tem se mostrado frágil, a conferência de Santa Marta – voltada à transição para o fim dos combustíveis fósseis – ofereceu um raro contraponto: países escolhendo o interesse comum em vez da divisão.
“O principal legado de Santa Marta é mostrar que a cooperação internacional pode avançar fora dos espaços formais de decisão, conectando vontade política, ciência e implementação. Esse movimento evidencia que não há mais espaço para transições lentas ou incompletas. O que está em jogo agora é a capacidade dos países, incluindo o Brasil, de transformar compromisso em ação coordenada, com justiça social, credibilidade e velocidade compatível com a crise climática”, ressalta Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil.
Governos de 56 países demonstraram o que é liderança climática. Em uma coalizão voluntária, o grupo de países se reuniu com milhares de participantes em torno de um único desafio central: a transição para o fim dos combustíveis fósseis, a mais difícil de todas as ações climáticas. Ao fazerem isso, os anfitriões criaram uma oportunidade de substituir o impasse por avanços, reiterando a vontade política de sair do “que precisa acontecer” para “como vamos fazer acontecer juntos”.
As discussões em Santa Marta destacaram a necessidade urgente de fechar a lacuna global de governança sobre combustíveis fósseis por meio de três frentes de trabalho: (1) elaborando mapas do caminho nacionais e incorporando esses compromissos nos planos dos países; (2) abordando a dependência macroeconômica e a arquitetura financeira; e (3) reequilibrando o comércio e o investimento para viabilizar a descarbonização.
“Este é um ano decisivo para a transição para longe dos combustíveis fósseis. As sementes de uma nova iniciativa focada na implementação foram plantadas”, declarou Fernanda de Carvalho, líder global de políticas climáticas e energéticas do WWF.
Um anúncio-chave foi a criação de um painel científico dedicado, reunindo cientistas de clima, da economia e da tecnologia. Eles fornecerão contribuições anuais – até 2035 – para a construção e o fortalecimento de ações relevantes, urgentes e concretas, com o objetivo de orientar recomendações para a elaboração de políticas públicas voltadas ao abandono progressivo dos combustíveis fósseis. O painel também busca ampliar o engajamento de cientistas do Sul Global.
“Na COP30, uma vanguarda de países corajosos e ousados deu esperança de que a cooperação em tempos difíceis ainda é possível. Então, eles organizaram uma conferência. E milhares de pessoas e 56 países se reuniram em Santa Marta durante esses dias para enfrentar o mais difícil desafio climático de todos: encerrar nossa dependência dos combustíveis fósseis”, afirmou Manuel Pulgar Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF e presidente da COP20.
“Algo notável aconteceu. A esperança se transformou em impulso. Planos de implementação iniciais foram discutidos. ‘O quê’ virou ‘como’. E uma nova via complementar surgiu”, completa Manuel.
Uma segunda conferência está planejada para 2027, que será coorganizada por Tuvalu e Irlanda, com consultas contínuas entre a coalizão de países, especialistas e partes interessadas até o próximo encontro.
“Além de Santa Marta, a urgência deve continuar sustentando o futuro emergente, no qual o caminho para longe do carvão, do petróleo e do gás se torne realidade para todos. Não será fácil, mas começamos aqui e agora. Trabalhamos juntos para fazer dessa marola uma onda gigante de ação. Os resultados de Santa Marta irão reforçar e complementar tanto as negociações climáticas da UNFCCC quanto o Mapa do Caminho da Presidência da COP30, ajudando a reduzir a lacuna entre ambição e ação”, finaliza Fernanda de Carvalho.
O WWF celebra a liderança do Sul Global, com a Colômbia coorganizando a conferência com o governo dos Países Baixos. Isso reforça a importância desse tipo de cooperação daqui em diante, com a necessidade de uma transição coordenada.
Para reforçar a relevância dos resultados de Santa Marta para o contexto brasileiro e destacar o papel do país nesse momento decisivo para a transição energética global, lideranças do WWF-Brasil avaliam os próximos passos necessários para transformar compromissos em implementação concreta e acelerar a construção de um caminho claro para o fim dos combustíveis fósseis.
“Santa Marta deixa claro que a transição para o fim dos combustíveis fósseis avançou no terreno da tomada de decisão. Para o Brasil, isso significa abandonar a ambiguidade e definir, com urgência, um Mapa do Caminho com metas, prazos e um ponto de chegada inequívoco: o fim dos combustíveis fósseis. Essa não é uma escolha restrita ao campo da política climática. Trata-se de uma decisão econômica mais inteligente para reduzir riscos, atrair investimentos e posicionar o país como protagonista na economia de baixo carbono.”

Fonte: CicloVivo

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