
07/04/2026
A poucos dias de deixar o cargo, o ex-presidente Gabriel Boric sancionou uma lei que amplia a proteção sobre o remoto Arquipélago Juan Fernández, localizado no Pacífico Sul, e uma extensa área oceânica ao seu redor. A medida conecta o arquipélago aos parques marinhos já existentes de Nazca-Desventuradas, formando um corredor de conservação que totaliza 386 mil milhas quadradas, uma área comparável ao tamanho da Venezuela e equivalente a cerca de 50% das águas territoriais chilenas. Com a nova configuração, essa vasta região marinha protegida, que abriga baleias, golfinhos, tartarugas, lagostas, polvos, cadeias de montanhas subaquáticas, inúmeras aves marinhas e o lobo-marinho-de-Juan-Fernández, passa a figurar como a terceira maior área marinha conservada do mundo.
Ao longo de diferentes governos, o Chile vem se destacando como defensor do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. Antes da nova legislação, cerca de 466 mil quilômetros quadrados de oceano já estavam sob proteção nessa região. A ampliação foi impulsionada também por mobilização local: moradores de Juan Fernández se uniram a ONGs nacionais e internacionais em defesa de uma proteção mais abrangente. “Este compromisso reflete a essência da nossa comunidade”, afirmou Pablo Manríquez Angulo, prefeito da Ilha Robinson Crusoé, no arquipélago. “Expandir a proteção marinha não se trata apenas de conservar a biodiversidade, mas também de salvaguardar a nossa cultura, as nossas tradições e o futuro dos nossos filhos.”
Em 11 de março deste ano, Boric deixou a presidência após enfrentar índices de aprovação baixos ao longo de seu mandato. Ainda assim, a criação do parque marinho unificado no entorno do arquipélago se consolida como um de seus principais legados políticos. A medida contribui para que o país mantenha mais da metade de suas águas sob algum tipo de proteção ambiental, reforçando sua posição de liderança global na conservação dos oceanos.
“A comunidade de Juan Fernández, o presidente Gabriel Boric e o governo chileno devem ser imensamente parabenizados por essa designação legal”, disse Dan Crockett, diretor executivo da Blue Marine Foundation, que apoiou a criação das novas áreas protegidas. “À medida que o mundo avança rumo a 2030, áreas totalmente protegidas dessa magnitude tornam-se de importância crucial.”
Fonte: CicloVivo
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