
31/03/2026
A água do rio Tietê em trecho no interior de São Paulo mudou de cor entre a primeira semana de março e meados do mês —um problema que ainda não foi resolvido. Imagens de satélite dos municípios paulistas Adolfo e Novo Horizonte, entre outros, mostram o crescimento de uma faixa verde na água, provocada pela proliferação de algas.
As fotos foram enviadas com exclusividade à Folha pela SCCON, empresa brasileira de tecnologia geoespacial. As imagens foram captadas pelos satélites de monitoramento da companhia americana Planet.
O fenômeno foi identificado também nas cidades de Sales e Buritama. O trecho do Tietê afetado, manchado de verde, mede cerca de cem quilômetros.
Este quadro não é inédito. O crescimento das cianobactérias ocorre quando chuvas e altas temperaturas favorecem a proliferação dessas algas, que se beneficiam da matéria orgânica presente na água. Locais com poluição tendem, portanto, a ter mais mais alimento para elas. Os moradores da região relatam ainda mortes de peixes, mau cheiro e aumento da densidade da água.
A Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) disse, em nota, que atua, desde 25 de março do ano passado, de forma intensiva no combate a irregularidades às margens do rio, com foco nos pontos considerados mais críticos para o despejo de dejetos.
Segundo a pasta, o Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê conta com a colaboração de instituições como a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a Polícia Militar Ambiental, comitês de bacias hidrográficas e prefeituras.
"Esse trabalho se insere em um conjunto mais amplo de ações voltadas ao enfrentamento da proliferação de algas e macrófitas no rio Tietê, cenário agravado pelo aumento das temperaturas médias, registrado em São Paulo desde o ano passado", afirmou a secretaria.
O verde da água e a formação de uma "nata" estão, explica a Cetesb, associados à eutrofização, fenômeno apontado como comum para esta época do ano, quando as altas temperaturas aliadas às chuvas frequentes favorecem o aumento de algas.
Em setembro de 2024, por exemplo, o lago do Ibirapuera, na capital, ficou com a água verde. O fenômeno também foi observado no mesmo período no rio Pinheiros. Os casos foram associados, na época, ao florescimento de algas diante de nutrientes abundantes na água e altas temperaturas.
Fonte: Folha de S. Paulo
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