
31/03/2026
Florianópolis é a única cidade brasileira em uma lista inédita da ONU que reúne 20 municípios do mundo reconhecidos por ações concretas para reduzir a geração de lixo e melhorar a gestão de resíduos.
A seleção faz parte de uma iniciativa global que busca destacar cidades que já colocam em prática medidas para enfrentar o problema do lixo urbano.
Além da capital catarinense, aparecem na lista cidades como São Francisco (Estados Unidos), Bolonha (Itália) e Kuala Lumpur (Malásia), que adotam diferentes estratégias para reduzir o volume de resíduos e ampliar a reutilização de materiais.
A capital catarinense vem, há anos, estruturando políticas públicas voltadas à redução do lixo, com metas formais e mudanças na forma como os resíduos são coletados e reaproveitados na cidade.
Em 2018, o município adotou oficialmente o conceito de “lixo zero”, que parte da ideia de que a maior parte do que hoje é descartado poderia ser reaproveitada ou reciclada.
Na prática, isso se traduziu em metas estabelecidas por decreto para diminuir o envio de resíduos aos aterros sanitários, com foco principalmente na chamada fração orgânica, que pode ser transformada em adubo, e nos materiais recicláveis.
A estratégia envolve desde programas de compostagem até a ampliação de pontos de coleta e iniciativas que incentivam a separação do lixo dentro das casas e condomínios.
A iniciativa acompanha uma preocupação crescente no cenário internacional. Segundo a ONU, o mundo gera mais de 2,1 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, um volume que cresce com a urbanização e o aumento do consumo.
Esse montante pressiona o clima, ameaça a biodiversidade, compromete a saúde pública e afeta diretamente populações que vivem próximas a lixões ou dependem da coleta informal de materiais recicláveis para sobreviver.
Entre as iniciativas destacadas estão ações como compostagem de resíduos orgânicos, programas de reciclagem com participação de catadores, sistemas de reutilização e recarga de embalagens e políticas para reduzir produtos descartáveis.
No Brasil, porém, a realidade ainda é marcada por desigualdades. Embora haja avanços em algumas cidades, muitos municípios enfrentam dificuldades para ampliar a coleta seletiva, reduzir o descarte irregular e dar destino adequado ao lixo.
Para José Manuel Moller, vice-presidente do conselho consultivo da ONU sobre lixo zero, o que diferencia as cidades selecionadas é a capacidade de transformar planos em prática.
“Essas 20 cidades importam não porque têm os melhores planos no papel, mas porque estão transformando ambição em ação”, afirmou.
Ele diz que o conceito de lixo zero já está sendo aplicado na prática. “Elas mostram que lixo zero não é uma visão distante ou apenas uma estratégia de comunicação. É algo prático, local e possível quando as cidades lideram pelo exemplo”, disse.
Justamente por isso, a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, afirma que enfrentar o problema também pode trazer ganhos econômicos.
“As soluções para poluição e resíduos são oportunidades para repensar nossas economias com inovação, circularidade e equidade”, alerta.
Já a diretora-executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rosbach, destaca que as cidades têm papel direto na implementação dessas mudanças.
Segundo ela, políticas públicas e parcerias são essenciais para avançar. “Essa iniciativa mostra como a ação local, quando apoiada por boa governança e parcerias, pode acelerar a transição para sistemas urbanos mais resilientes e sustentáveis”.
Segundo a ONU, a lista completa será apresentada oficialmente no Dia Internacional do Lixo Zero, em 30 de março, e deve servir como referência para outras cidades.
Veja a lista completa clicando no g1
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