
31/03/2026
Uma nova e poderosa ferramenta online que mapeia as jornadas anuais completas de 89 espécies de aves migratórias altamente vulneráveis nas Américas foi apresentada nesta quinta-feira (26) na COP15 da CMS, a conferência da ONU sobre conservação da vida selvagem. A ferramenta oferece a governos, cientistas e ambientalistas uma visão sem precedentes de onde a ação é mais urgente para protegê-las.
Desenvolvido pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell e pela Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), o Atlas de Rotas Migratórias das Américas identifica os locais críticos de reprodução, parada e invernada dos quais as aves migratórias dependem para sobreviver, muitos dos quais estão sob crescente pressão devido à perda de habitat, infraestrutura e mudanças climáticas.
Baseando-se em milhões de observações de ciência cidadã submetidas através da plataforma eBird, combinadas com modelagem científica avançada, o Atlas identifica “Áreas de Concentração de Aves” – pontos críticos onde grandes quantidades de espécies de aves listadas no Apêndice I ou II da CMS se reúnem em diferentes estágios de sua migração.
O Atlas abrange inicialmente 89 espécies listadas nos Apêndices I e/ou II da CMS e surge num momento de crescente preocupação com o estado das espécies migratórias em todo o mundo. Ao longo das rotas migratórias das Américas, que se estendem do Ártico canadense à Patagônia chilena, 622 espécies de aves migratórias dependem de uma frágil cadeia de habitats que abrange 56 países. Muitas delas estão em declínio.
Desde a maçarico-de-bico-comprido, que se reproduz no Ártico, até o flamingo-andino e a mariquita-cerúlea, espécie que está desaparecendo rapidamente na América do Norte, essas aves dependem de múltiplos ecossistemas além das fronteiras. Um único elo frágil – um pântano drenado, uma floresta fragmentada, um local de parada migratória interrompido – pode colocar em risco populações inteiras.
O Atlas torna essas ligações visíveis pela primeira vez em escala continental.
Diferentemente dos conjuntos de dados tradicionais, o Atlas foi projetado para orientar decisões no mundo real, ajudando os governos a identificar onde os esforços de conservação terão o maior impacto.
A medida apoia diretamente as negociações em curso esta semana na COP15, onde 133 Partes debatem novas medidas para proteger espécies migratórias, incluindo propostas para incluir espécies adicionais na lista e fortalecer a cooperação internacional em matéria de proteção de habitats e conectividade ecológica.
Ao fornecer aos países uma base de evidências compartilhada, a plataforma visa preencher uma das maiores lacunas na conservação: alinhar ações além-fronteiras para espécies que não as reconhecem.
O Atlas chega em um momento de crescente pressão sobre as espécies migratórias em todo o mundo – desde a destruição de habitats e infraestrutura até a poluição e as mudanças climáticas, todos temas prioritários na agenda da COP15 esta semana no Brasil.
A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo
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