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Só 3% dos rios da Mata Atlântica têm qualidade de água boa

26/03/2026

A qualidade da água dos rios da Mata Atlântica continua precária, sem apresentar sinais consistentes de melhora. Lançado na semana do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o novo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica confirma um cenário de estagnação nos indicadores e revela uma redução significativa no número de pontos com água classificada como boa.
No estudo mais recente, que reúne dados coletados entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular – o que indica impacto relevante da poluição e necessidade de tratamento da água para diferentes usos.
Produzido pelo programa Observando os Rios, uma das maiores iniciativas de ciência cidadã voltadas ao monitoramento da qualidade da água no Brasil, o Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica reúne um amplo diagnóstico sobre a situação dos cursos d’água do bioma. Neste ciclo de monitoramento, foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos em 128 rios e corpos d’água localizados em 86 municípios de 14 estados, com a participação de 133 grupos voluntários. O relatório conta com patrocínio da Ypê e da Inditex, além do apoio da Águia Branca, da CMA GCM, da Fundação Sol de Janeiro, da Heineken e da Itaúsa.
Os resultados mostram que apenas cinco pontos (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins e cinco (3,1%) como péssimos. Mais uma vez, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima.
O monitoramento utiliza o Índice de Qualidade da Água (IQA), indicador internacional adotado no Brasil para avaliar a condição ambiental da água doce. A metodologia classifica os rios em cinco categorias (ótima, boa, regular, ruim e péssima), considerando parâmetros físicos, químicos e biológicos, além de características da água como espumas, odor e turbidez (aferições organolépticas). Enquanto rios com qualidade boa ou ótima se mantêm em condições adequadas para abastecimento, produção de alimentos e vida aquática equilibrada, aqueles classificados como regulares já demonstram impactos ambientais que podem comprometer seu uso para consumo ou lazer. Nos rios com qualidade ruim ou péssima a poluição atinge níveis críticos, prejudicando tanto a biodiversidade quanto a população que depende desses recursos hídricos e a saúde pública.
A comparação com os dados do ciclo anterior reforça o alerta. Entre os 115 pontos acompanhados nos dois anos consecutivos, os classificados como bons caíram de nove para três. Ao mesmo tempo, houve um aumento dos regulares e leve crescimento dos enquadrados como ruins. Cinco pontos permaneceram na categoria péssima, mantendo condições críticas de qualidade da água.
Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, os resultados sinalizam que o país ainda não conseguiu avançar de forma estrutural na recuperação dos rios. “Seguimos presos a um cenário de estagnação num patamar que há anos já é preocupante. A predominância da qualidade regular revela que a maioria dos rios está sob pressão constante da poluição. Sem mudanças estruturais, o país continuará convivendo com rios degradados e, consequentemente, com riscos crescentes para toda a população”, afirma.
Ainda assim, há exemplos pontuais de recuperação. O rio Betume, em Pacatuba (SE), apresentou melhora e passou da classificação regular para boa, enquanto o rio Capivari, em Florianópolis (SC), e o córrego Itaguaçu/Itaquanduba, em Ilhabela (SP) avançaram de ruim para regular. Os casos indicam que a recuperação é possível quando há redução das fontes de poluição e avanços na gestão das bacias hidrográficas.
No entanto, o número de rios que perderam qualidade foi maior. Seis pontos que haviam apresentado classificação boa no ciclo anterior passaram para regular em 2025: os rios Pratagy, em Maceió (AL); Mamanguape, em Rio Tinto (PB); Sergipe, em Aracaju (SE); do Sal, em Nossa Senhora do Socorro (SE); Arroio Serraria, em Lindolfo Collor (RS); e o córrego do Balainho, em Suzano (SP). Entre os fatores associados a essa piora estão obras de infraestrutura, alterações no uso do solo, incêndios florestais, lançamento irregular de esgoto e pressões associadas à expansão urbana e às atividades agropecuárias.
Em alguns casos, a situação se agravou ainda mais: o rio Jaboatão, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e pontos dos rios Paraíba do Sul, em Itaocara (RJ), e Tietê, em Guarulhos (SP) e Santana de Parnaíba (SP), passaram de regular para ruim, tornando a água imprópria para diversos usos. O relatório também aponta que alguns dos trechos mais críticos, com água péssima, permanecem sem melhora – como os rios Pinheiros e Jaguaré, na capital paulista, e o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul (SP) –, evidenciando que a recuperação dos rios é lenta e exige ações estruturais contínuas.
“A Ypê é parceira do Observando os Rios desde 2015, ininterruptamente, o que possibilitou a expansão da metodologia para os 17 estados brasileiros que possuem Mata Atlântica. Consideramos muito importante apoiar as comunidades para conhecer e monitorar seus rios e poder dar esse alerta para toda a sociedade. Apesar de o cenário ser de estagnação, seguimos acreditando que o engajamento coletivo, envolvendo pessoas físicas e jurídicas, aliado a investimentos em saneamento e à gestão adequada das bacias hidrográficas, pode reverter esse quadro e garantir água de qualidade para as próximas gerações”, diz Gustavo de Souza, Diretor de P&D, Sustentabilidade e Inteligência Industrial da Ypê.

Leia a reportagem completa clicando no CicloVivo

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