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Onda de calor histórica avança pelos EUA e deve atingir quase todo o país

26/03/2026

Uma onda de calor fora de época que já quebrou recordes em 14 estados avança pelos Estados Unidos e pode se transformar em um dos episódios mais amplos já registrados no país, segundo meteorologistas e historiadores do clima.
A previsão é de que o calor persista por vários dias e só comece a perder força perto da metade da próxima semana, já com a chegada de abril.
O fenômeno vem sendo impulsionado por uma cúpula de calor que se formou no Sudoeste do país e agora se desloca em direção ao leste.
“Basicamente, todo os Estados Unidos vão ficar quentes”, disse Gregg Gallina, meteorologista do Weather Prediction Center, ligado ao Serviço Nacional de Meteorologia.
“A área com temperaturas recordes é extremamente grande. Isso é o que realmente chama atenção.”
A chamada cúpula de calor acontece quando uma área de alta pressão funciona como uma tampa na atmosfera, impedindo a dissipação do ar quente e mantendo as temperaturas elevadas por vários dias seguidos.
Na cidade de Flagstaff, no Arizona, a previsão é de até 11 ou 12 dias consecutivos com temperaturas acima do recorde anterior para março, segundo Jeff Masters, da Yale Climate Connections.
Com o avanço do sistema, os termômetros devem ultrapassar os 30 °C em áreas do centro e do sul do país já a partir de quarta-feira.
Entre um quarto e um terço do território continental dos Estados Unidos pode registrar temperaturas próximas ou acima dos recordes históricos para março.
A área afetada por essa onda de calor pode ser maior do que a de eventos recentes que marcaram o país, como os episódios de 2012 no Meio-Oeste e Nordeste e de 2021 no Noroeste do Pacífico.
Ainda assim, especialistas avaliam que a intensidade é menor do que a de eventos históricos como os da década de 1930, durante o Dust Bowl, ou a onda de calor de 2021, que ocorreram no verão e tiveram impactos mais severos.
Um fator que reduz parcialmente os efeitos agora é a menor umidade do ar. No verão, a combinação de calor intenso e alta umidade costuma agravar a sensação térmica e aumentar os riscos à saúde.
Na sexta-feira, quatro localidades na Califórnia e no Arizona registraram cerca de 44 °C.
O valor superou em aproximadamente 2 °C o recorde anterior para março nos Estados Unidos continentais e ficou muito próximo do recorde histórico de abril.
O climatologista Maximiliano Herrera afirma que pelo menos 14 estados registraram o dia mais quente de março desde o início do evento, incluindo Califórnia, Nevada, Kansas, Colorado e Minnesota.
“No México, até recordes de maio foram superados, com marcas de março ficando até cerca de 8 °C acima do normal, muito mais do que em julho de 1936, março de 1907 ou junho de 2021”, escreveu Herrera em um e-mail.
Dados do Centro Nacional de Informações Ambientais indicam que ao menos 479 estações meteorológicas quebraram recordes mensais entre quarta-feira e sábado. Outros 1.472 recordes diários também foram superados no mesmo período.
Segundo os meteorologistas, o fenômeno está ligado a um bloqueio na corrente de jato, que normalmente transporta sistemas meteorológicos de oeste para leste. Com esse bloqueio, o calor permanece estacionado sobre grande parte do país, enquanto outras regiões, como o Havaí, enfrentam chuvas intensas e inundações.
Um estudo do grupo internacional World Weather Attribution aponta que esse tipo de calor seria “praticamente impossível” sem a influência das mudanças climáticas.
Segundo os cientistas, o aquecimento global tornou o evento cerca de 800 vezes mais provável e elevou as temperaturas em pelo menos 2,6 °C.
A expectativa é de que a cúpula de calor comece a perder força no fim da próxima semana.
“Só precisamos dar tempo ao tempo”, disse Masters.

Fonte: g1

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