
24/03/2026
Longe de qualquer multidão de visitantes, as elefantas Maia, Guillermina e Bambi se aproximam da cerca e vão ao encontro de uma equipe de tratadores que oferece alimentos e aplica medicamentos. Depois de finalizados os cuidados veterinários, elas decidem como aproveitar o restante da manhã no cerrado.
Assim começa o dia no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, que abriga cinco fêmeas da espécie asiática. Todas tiveram passagens por circos ou zoológicos.
A Folha esteve na instituição no final de fevereiro.
A garoa que caía durante a visita era motivo de alegria para as moradoras. Para a maioria delas, a vida anterior em confinamento significava a privação do contato com poças de lama, um dos passatempos preferidos da espécie.
Quem está acostumado a observar elefantes em zoológicos se espanta ao vê-los imersos em uma área com vegetação a perder de vista. Em respeito ao bem-estar, pessoas externas não podem se aproximar muito da cerca, já que os animais estão habituados a ter contato só com os tratadores.
As cinco moradoras têm 279,7 mil metros quadrados à disposição, cerca de 55,9 mil m2 por paquiderme. Em comparação, o recinto atual da elefanta do Zoológico de São Paulo mede 1.500 m2, e a instituição planeja expandi-lo para 8.628 m2.
O habitat das fêmeas asiáticas é apenas uma das áreas do santuário: também há espaços para fêmeas africanas e machos asiáticos, ambos vazios no momento. Cada zona tem o próprio centro veterinário, uma construção do tamanho de um galpão com estruturas para isolar os tratadores dos mamíferos. Os habitats são subdivididos em recintos, com cercas que permitem separar os animais se necessário.
Cerca de 80% da dieta é composta pela vegetação do cerrado, e as próprias elefantas escolhem quais plantas comer. Como suplemento, o SEB oferece frutas, legumes e cereais para cada moradora. As porções diárias variam 210 kg a 360 kg. O funcionamento do local, uma instituição privada, é mantido por meio de doações.
A equipe de veterinários aproveita os dois momentos de alimentação, um pela manhã e outro no final da tarde, para cuidar dos paquidermes.
Bambi, com idade estimada em 60 anos, chegou a Mato Grosso em 2020 e passou mais de quatro décadas em circos. A reportagem a viu balançar a cabeça para os lados de modo repetitivo, um movimento ligado a traumas e estresse. O americano Scott Blais, fundador do santuário, afirma que o comportamento ocorre desde antes da transferência.
Depois de comer abóboras e beterrabas, a elefanta encosta o rosto na cerca. Ela foi treinada para se colocar na posição quando a cuidadora dá um comando específico, e a pose deixa seus olhos acessíveis para a aplicação de um colírio com uma seringa. Bambi é 90% cega e se orienta pelos demais sentidos, segundo Blais.
Guillermina, de 26 anos, também foi condicionada a obedecer a um sinal dos veterinários e coloca a pata sobre a cerca, para que os tratadores possam borrifar uma solução higienizadora. Ela passou a maior parte da vida em um recinto de concreto no Ecoparque de Buenos Aires, na Argentina.
O solo que um elefante toca impacta diretamente a saúde. Esses animais precisam de terrenos macios e com inclinações, características por vezes ausentes em locais sob cuidados humanos. Blais diz que muitas elefantas chegaram ao local sem ter recebido tratamento ao longo da vida.
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