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Geleiras derretem duas vezes mais rápido desde 2000, apontam estudos

24/03/2026

As geleiras das altas montanhas do Hindu Kush e do Himalaia estão derretendo no dobro da velocidade de antes do ano 2000 por causa das mudanças climáticas, alertam dois estudos científicos divulgados neste sábado (21) —no Brasil, ainda sexta-feira (20).
Segundo esses trabalhos, publicados pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (Icimod), com sede na capital do Nepal, Katmandu, as geleiras dessas duas cadeias montanhosas perderam até 27 metros de espessura desde 1975.
"Não se trata de um problema distante, é uma crise que se agrava em tempo real, com seu lote de desastres a cada verão e em cada estação de monções", afirmou em comunicado o diretor do Icimod, Pema Gyamtsho. "É preciso fortalecer o monitoramento e investir em adaptação desde já."
Todos os anos, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal são palco de inundações e avalanches letais, causadas sobretudo pelo transbordamento de lagos glaciais.
Os especialistas afirmam que a quantidade e a intensidade desses fenômenos aumentam por causa do aquecimento global.
Segundo dados coletados pelo Icimod, a superfície das geleiras da região recuou 12% de 1990 a 2020, e suas reservas estimadas de gelo diminuíram 9%.
A taxa média de perda de gelo passou de 35 cm por ano de 1974 a 1999 para 72 cm por ano desde 2000, detalhou o cientista Mohd Farooq Azam.
"A elevação das temperaturas significa que as geleiras têm cada vez menos tempo para reconstituir sua massa. É preciso reduzir as emissões de carbono para que possam preservar seu ciclo natural de reconstituição", explicou.
O principal autor dos dois estudos também insistiu que os meios de monitoramento das geleiras deveriam ser reforçados com urgência, para que se possam detectar os riscos antes que as mudanças climáticas tenham o impacto máximo.
As cordilheiras do Hindu Kush e do Himalaia abrigam as maiores reservas de gelo do planeta, depois das dos dois polos, com mais de 63.700 geleiras registradas em uma superfície total de quase 55.800 km2.
Essas geleiras alimentam pelo menos dez grandes bacias fluviais que irrigam toda a Ásia.

Fonte: Folha de S. Paulo

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