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Aterro Sanitário britânico vira fonte de alimentos

19/03/2026

A aproximadamente 145 quilômetros de Londres, um aterro sanitário vem ganhando uma nova função: além de receber resíduos, passou a convertê-los em energia para viabilizar o cultivo de alimentos, inclusive durante os períodos mais frios do inverno inglês. A iniciativa propõe uma mudança de paradigma ao reposicionar aterros como potenciais centros agrícolas de baixo carbono. A ideia é unir produção contínua, preços mais acessíveis e condições controladas de cultivo ao longo de todo o ano.
No condado de Wiltshire, uma cúpula de grandes proporções foi instalada para operar como estufa. O funcionamento do espaço, que inclui aquecimento, iluminação ultravioleta e ventilação, depende integralmente da energia gerada a partir dos próprios resíduos do local. Com 30 pés de altura e área equivalente a três quadras de tênis, a estrutura tem capacidade para produzir até 10 toneladas de alimentos por ano. O projeto é conduzido pela empresa familiar Crapper and Sons Landfill Ltd, responsável pela criação da Empresa de Interesse Comunitário Sustain Wiltshire, que destina suas receitas a iniciativas de interesse público.
Apontada pelos responsáveis como uma “inovação mundial”, a estrutura utiliza uma combinação de hidroponia e canteiros elevados, tecnologia que permite cultivar alimentos pouco comuns no Reino Unido, como o abacate, geralmente importado. A expectativa é que os produtos cultivados localmente sejam mais baratos do que os disponíveis nos supermercados. Como parte da proposta de circularidade, a empresa também planeja recolher resíduos vegetais após o consumo. Nesse modelo, a logística tradicional de armazenamento e distribuição perde espaço. Os alimentos serão comercializados por meio de um aplicativo, entregues diretamente nas casas e, depois, os resíduos retornam ao aterro para reaproveitamento, contribuindo para a geração adicional de energia.
O funcionamento do sistema começa com a captura dos gases liberados pela decomposição dos resíduos, como metano, dióxido de carbono (CO2) e sulfeto de hidrogênio por meio de poços instalados no aterro. Esses gases são conduzidos até uma central, onde passam por um processo de purificação que remove o sulfeto de hidrogênio. Depois disso, o biogás, rico em metano, é utilizado para abastecer um motor de cogeração, que gera simultaneamente calor e eletricidade. Essa energia mantém as estufas infláveis em condições ideais para o desenvolvimento das plantas.
O dióxido de carbono resultante da queima também é reaproveitado: ele é captado dos gases de escape, purificado e armazenado para uso nas estufas. “O processo de fotossíntese transformará o dióxido de carbono em oxigênio”, informou a empresa. Se o protótipo se mostrar bem-sucedido, o plano é ampliar o projeto com a instalação de mais 100 cúpulas no aterro da Crapper and Sons. A expectativa é que, em até dez anos, a produção seja suficiente para atender até 80% da demanda por frutas e vegetais de Royal Wootton Basset, Purton e Brinkworth. “Tem o potencial de mudar a face da produção de alimentos como a conhecemos”, disse Nick Ash, Diretor de Projetos da Sustain Wiltshire. “Só neste local, temos o potencial de produzir mais de 8.000 toneladas de frutas e vegetais a preços acessíveis anualmente, criando 130 novos empregos e evitando a emissão de 3.800 toneladas de CO2 por ano. Acreditamos que, em conjunto com planos para capturar polímeros de plásticos de aterros sanitários que ainda não podem ser reciclados, nossa solução tem o potencial de transformar o futuro dos aterros sanitários internacionalmente, tornando-os um dos métodos de tratamento de resíduos mais sustentáveis.”

Fonte: CicloVivo

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