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Telhado escalonado cria jardim de 9 mil m² em universidade

19/03/2026

Há 1100 anos, poços escalonados na Índia eram espaços construídos não apenas para armazenar água, mas também como grandes espaços sociais que reuniam a comunidade. Com esta inspiração, o escritório de Arquitetura e Design Sanjay Puri Architects desenhou o prédio de uma universidade com telhado escalonado que fomenta a interação social e a realização de eventos.
Situado em um campus de 129.500 m², a Prestige University abriga salas, escritórios administrativos, auditório, salas de seminários, biblioteca e refeitório. Construído diagonalmente, a construção eleva-se gradualmente disfarçando sua altura de 28 metros e transformando-se em um palco multifuncional.
O edifício de tijolos vermelhos possui cinco andares com degraus que se elevam do solo ao telhado, formando pequenos pátios ajardinados conectados por escadas. Todo o terraço é acessível para alunos e funcionários da universidade.
As áreas são intercaladas com pátios abertos, iluminados e ventilados naturalmente. A luz indireta penetra os volumes internos em cada nível. O edifício, desta forma é energeticamente eficiente, tendo mínima dependência de iluminação artificial e ar condicionado. Tais elementos de design foram planejados como resposta ao clima da cidade, que varia de 30º a 40º Celsius durante oito meses do ano.
Além de formar uma série de jardins acessíveis, o grande trunfo do telhado escalonado da Prestige University é criar áreas de lazer de estímulo ao convívio social. Um total de 463 plataformas escalonadas formam um jardim na cobertura de 9 mil m², sendo algumas dessas plataformas acessíveis para cadeirantes.
As plataformas escalonadas transformam-se em múltiplos espaços para diferentes atividades simultâneas e formam um auditório ao ar livre para eventos de grande escala, com capacidade para até nove mil estudantes por vez.
As áreas comuns, incluindo uma praça de alimentação, um auditório e os escritórios administrativos, estão localizadas no térreo para facilitar o acesso. Os diversos componentes da biblioteca ficam no primeiro andar, conectados por uma passarela sobre a rua diagonal interna que atravessa o edifício.
Já as salas de aula comuns ocupam o segundo andar, recebendo luz e ventilação dos diversos vãos e pátios abertos. Esses pátios abertos servem como área de convivência para atividades recreativas. O terceiro andar abriga salas de aula em formato de anfiteatro, e o quarto andar abriga todas as instalações administrativas e destinadas ao corpo docente.
As fachadas leste, oeste e sul do edifício são revestidas com painéis ventilados de concreto reforçado com fibra de vidro (GFRC) para mitigar o ganho de calor em resposta ao clima. A Prestige University integra-se ao clima da sua localização, resultando em um edifício energeticamente eficiente que, além de abrigar diversas atividades, também se torna um amplo espaço público aberto com um térreo acessível e um telhado ajardinado.
A ampliação de espaços verdes na arquitetura escolar é cada vez mais urgente diante dos desafios climáticos e urbanos. A pesquisa “O acesso ao verde e a resiliência climática nas escolas das capitais brasileiras”, realizada pelo Instituto Alana em parceria com a Fiquem Sabendo, a partir de dados do MapBiomas, analisou 20.635 escolas públicas e particulares de educação infantil e fundamental nas capitais do Brasil e revelou um cenário preocupante. O estudo aponta que cerca de 370 mil alunos estudam em instituições localizadas em áreas de risco hidrogeológico e que, em uma a cada três capitais, pelo menos metade das escolas está em regiões com desvios de temperatura superiores a 3,5 °C em relação à média urbana, caracterizando verdadeiras ilhas de calor.
A exposição prolongada a altas temperaturas pode causar impactos duradouros na saúde e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, incluindo dificuldades de aprendizagem, pior qualidade do sono e efeitos negativos na saúde mental e no comportamento. Parte desse problema está relacionada à ausência de natureza: 78% das escolas mais quentes não possuem área verde no lote ou têm menos de 20% de cobertura vegetal, cenário ainda mais crítico na educação infantil, onde 43,5% das instituições não contam com espaços verdes. Os dados reforçam a importância de integrar jardins, pátios arborizados e outras soluções baseadas na natureza aos projetos escolares, criando ambientes mais saudáveis, confortáveis e resilientes às mudanças climáticas.

Fonte: CicloVivo

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