
17/03/2026
Um cidadão chinês foi preso no principal aeroporto do Quênia, acusado de tentar contrabandear mais de 2 mil formigas rainhas.
Zhang Kequn foi interceptado durante uma inspeção de segurança no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA), na capital Nairóbi, depois que as autoridades descobriram uma grande quantidade de formigas vivas em sua bagagem com destino à China.
Ele ainda não se manifestou sobre a acusação, mas investigadores afirmaram em juízo que ele está ligado a uma rede de tráfico de formigas que foi desmantelada no Quênia no ano passado.
As formigas são protegidas por tratados internacionais de biodiversidade e seu comércio é altamente regulamentado.
No ano passado, o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) alertou para uma crescente demanda por formigas cientificamente conhecidas como Messor cephalotes na Europa e na Ásia, onde colecionadores as mantêm como animais de estimação.
Um promotor público disse ao tribunal, na quarta-feira (11/3), que Zhang havia embalado algumas formigas em tubos de ensaio, enquanto outras estavam escondidas em rolos de papel higiênico dentro de sua bagagem.
"Dentro de sua bagagem pessoal, foram encontradas 1.948 formigas embaladas em tubos de ensaio especiais", disse o promotor Allen Mulama ao tribunal.
"Outras 300 formigas vivas foram encontradas escondidas em três rolos de papel higiênico dentro da bagagem", acrescentou.
O promotor pediu ao tribunal que autorizasse a perícia no celular e no laptop do suspeito.
Duncan Juma, um funcionário de alto escalão do Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS), disse à BBC que devem ser feitas mais prisões, já que as autoridades estão ampliando a investigação para outras cidades quenianas onde há suspeita de que a coleta de formigas esteja ocorrendo.
Em maio passado, um tribunal queniano condenou quatro homens a um ano de prisão ou multa de US$ 7,7 mil (R$ 40 mil) por tentarem contrabandear milhares de formigas rainhas vivas para fora do país, em um caso inédito.
Os quatro suspeitos — dois belgas, um vietnamita e um queniano — se declararam culpados das acusações após serem presos no que o KWS descreveu como "uma operação coordenada e baseada em informações de inteligência".
Os belgas disseram ao tribunal que colecionavam as formigas, muito procuradas, como hobby e não acreditavam que fosse ilegal.
Os investigadores agora afirmam que Zhang era o mentor dessa rede de tráfico, mas aparentemente fugiu do Quênia no ano passado usando um passaporte diferente.
Na quarta-feira, o tribunal autorizou os promotores a detê-lo por cinco dias para permitir que os investigadores conduzissem novas investigações.
O KWS, mais acostumado a proteger animais de grande porte, como leões e elefantes, descreveu a decisão do ano passado como um "caso histórico".
As formigas apreendidas no ano passado eram consideradas ecologicamente importantes e sua remoção do ecossistema poderia prejudicar a saúde do solo e a biodiversidade.
Acredita-se que os destinos das formigas contrabandeadas seriam mercados de animais exóticos na Europa e na Ásia.
Fonte: g1
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