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Museu do Amanhã abre qualificação gratuita para pesquisadoras

03/03/2026

O Brasil está repleto de mulheres inovadoras. A engenheira química Adriele Menezes, por exemplo, projetou absorventes menstruais biodegradáveis, enquanto a doutoranda em Ciência Política Suellen Tobler idealizou o primeiro aplicativo para o ensino de línguas indígenas no Brasil. Em comum, ambas fizeram parte do projeto Mulheres na Ciência e Inovação, do Museu do Amanhã, que abriu inscrições para a sua oitava edição no dia 25. Serão oferecidas 80 vagas a pesquisadoras da graduação e pós-graduação das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) por todo o país. A participação é online e gratuita.
O programa, que conta com patrocínio Shell e correalização British Council, oferece palestras, oficinas e debates sobre liderança, autoconfiança, letramento de gênero, captação de recursos e empreendedorismo de ideias, além de temas ligados à vivência de mulheres na ciência.
“O Mulheres na Ciência e Inovação, apesar de consolidado, traz sempre novos desafios, aprendizados e ideias surpreendentes. Em comum, a preocupação com o bem-estar social e o meio-ambiente. Ao destacar a potência, a originalidade e a determinação das mulheres, o programa fomenta a produção compartilhada de conhecimento e cria espaços de diálogo sobre as perspectivas nas trajetórias acadêmica e profissional”, destaca Milena Goldophim, coordenadora do Laboratório de Inovação do Museu do Amanhã.
Para participar, é preciso ser mulher, cis ou trans; ter, no mínimo, 18 anos de idade; residir no Brasil; e estar na graduação ou pós-graduação de uma das áreas STEM. Serão selecionadas 16 pesquisadoras por região do país, com 50% das vagas destinadas a mulheres pretas e pardas. A seleção será feita a partir de análise de carta de apresentação e intenção, com preenchimento de dados pessoais e indicação da pesquisa ou projeto de interesse. Receberão certificados as participantes com, no mínimo, 75% de presença no programa.
Os encontros online terão vez aos sábados, entre 18 de abril e 23 de maio.
Adriele Menezes conta que a EcoCiclo é uma iniciativa inovadora que une ciência, tecnologia e impacto social para desenvolver soluções sustentáveis em higiene menstrual. “Produzimos absorventes 100% biodegradáveis, formulados para garantir eficiência, conforto e rápida decomposição, reduzindo resíduos plásticos. Aplicamos princípios da química verde e sustentabilidade para otimizar a produção e ampliar o impacto ambiental positivo. Atuamos também na educação menstrual e capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade”.
Suellen Tobler, por sua vez, uniu experiência de vida, tecnologia e compromisso social para criar o Nheengatu App — o primeiro aplicativo do Brasil para o ensino da língua nheengatu, falada por povos originários da Amazônia e considerada severamente ameaçada pela UNESCO. Com mais de seis mil usuários, o aplicativo já faz parte do cotidiano de escolas indígenas e da formação de professores na região do Baixo Tapajós, servindo ainda de referência para a criação de outras plataformas de línguas indígenas.
A partir da vivência no Mulheres na Ciência e Inovação, ela encontrou inspiração para repensar o alcance e a essência de seu trabalho. “O programa me ajudou a estruturar uma visão mais ampla para o projeto. Saí dali com a vontade de montar uma palestra sobre empreendedorismo em políticas públicas, refletindo quem são os atores desses processos coletivos e como projetos que nascem das próprias comunidades podem ser reconhecidos como política pública”, explica Suellen.

Veja a programação e o link das inscrições (devem ser realizadas até o dia 2 de abril) no CicloVivo

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