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Diminuição de presas aumenta risco de extinção da onça-pintada na mata atlântica

03/03/2026

Além da perda de habitat e da caça ilegal, a onça-pintada (Panthera onca) tem sofrido outro tipo de ameaça que contribui para aumentar o risco de extinção do felino na mata atlântica sul-americana: a escassez de alimento.
Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros apontou que a disponibilidade de presas do animal encontra-se reduzida mesmo em áreas protegidas do bioma, que abrange cerca de 15% do território brasileiro, estendendo-se por 17 estados ao longo das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, além de áreas na Argentina e no Paraguai.
As principais espécies de presas da onça-pintada, como porcos-do-mato (Tayassu pecari), catetos (Dicotyles tajacu) e cervídeos, sofrem com a pressão de caça por humanos e têm sido reduzidas a níveis que, provavelmente, não sustentam hoje populações viáveis do felino na mata atlântica. Se essa situação se agravar, o bioma, que possui hoje menos de 300 espécimes de onça-pintada, pode se tornar o primeiro no mundo a ter um predador de topo de cadeia alimentar extinto, alertam os pesquisadores.
Os resultados do estudo, apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foram descritos em artigo publicado na revista Global Ecology and Conservation.
O trabalho também teve a participação de pesquisadores vinculados ao Instituto de Pesquisas Cananeia, ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), à Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e ao projeto Onças do Iguaçu - Instituto Pró-Carnívoros.
"Constatamos uma situação alarmante de baixa abundância de espécies-chave de presas da onça-pintada mesmo em áreas protegidas da mata atlântica, onde estão localizados parques nacionais e estaduais e se esperava que a situação em termos de conservação do animal fosse melhor", diz à Agência Fapesp Katia Ferraz, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e coordenadora do estudo.
"Muito provavelmente, o declínio dessas presas é uma das principais causas para a situação crítica de conservação na qual a onça-pintada se encontra nesse bioma", avalia.
Os pesquisadores combinaram informações sobre a dieta e os hábitos alimentares da onça-pintada com dados obtidos por meio de um levantamento in loco das espécies de presas do felino, realizado com armadilhas fotográficas distribuídas ao longo de nove áreas protegidas da mata atlântica. Com base nesses dados, estimaram a abundância e a biomassa de 14 espécies de presas nessas áreas, que possuem diferentes níveis de populações de onça-pintada, e estabeleceram comparações entre elas.
Os resultados das análises indicaram que a dieta do maior felino das Américas é dominada por presas de grande porte, particularmente os porcos-do-mato e os cervídeos.
A abundância e a biomassa dessas presas foram maiores no chamado Corredor Verde e significativamente menores nas regiões da mata atlântica costeira, como na Serra do Mar, onde as onças-pintadas estão ausentes ou ocorrem em densidades muito baixas. Os dados mostram uma diferença abismal na biomassa entre o Corredor Verde (638 kg) e as áreas costeiras, onde o índice chega a ínfimos 8,2 kg.

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