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O que a história de Punch e seu orangotango de pelúcia nos ensina sobre a teoria do apego

24/02/2026

A história de um macaco-japonês (Macaca fuscata) de sete meses chamado Punch viralizou em razão da comovente busca do animal por companhia.
Após ser abandonado pela mãe e rejeitado pelo resto do bando, os tratadores do Zoológico da Cidade de Ichikawa, no Japão, deram a Punch um orangotango de pelúcia. Vídeos do macaco agarrado ao brinquedo viralizaram em todo o mundo.
Mas o apego ao seu companheiro inanimado não é apenas o tema de um vídeo comovente. Ele remete à história de uma famosa série de experimentos psicológicos conduzidos na década de 1950 pelo pesquisador norte-americano Harry Harlow.
As conclusões de suas experiências sustentam muitos dos princípios centrais da teoria do apego, que posiciona o vínculo entre pais e filhos como crucial para o desenvolvimento infantil.
Harlow pegou macacos-rhesus recém-nascidos e os separou de suas mães. Esses espécimes foram criados em um recinto no qual tinham acesso a duas "mães" substitutas.
Uma era uma gaiola de arame com a forma de uma macaca "mãe", que podia fornecer comida e bebida por meio de um pequeno comedouro.
A outra era uma boneca em forma de macaco envolta em tecido felpudo. Essa boneca era macia e confortável, mas não fornecia comida nem bebida; era pouco mais do que uma figura peluda à qual o filhote de macaco podia se agarrar.
Portanto, temos uma opção que proporciona conforto, mas não oferece comida nem bebida, e outra que é fria, dura e áspera, mas que fornece sustento alimentar.
Essas experiências foram uma resposta ao "behaviorismo", que era a visão teórica predominante na época.
Os behavioristas sugeriram que os bebês formam laços afetivos com aqueles que lhes fornecem suas necessidades biológicas, como comida e abrigo.
Harlow desafiou essa teoria, sugerindo que os bebês precisam de cuidados, amor e gentileza para formar laços afetivos, não apenas de alimentação física.
Um behaviorista esperaria que os macacos bebês passassem todo o tempo com a "mãe" de arame que os alimentava.
Na verdade, não foi isso que aconteceu. Os macacos passavam significativamente mais tempo por dia agarrados à "mãe" de tecido felpudo.
As experiências de Harlow na década de 1950 estabeleceram a importância da suavidade, do cuidado e da gentileza como base para o apego. Harlow mostrou que, quando têm a oportunidade, os bebês preferem o alimento emocional ao alimento físico.
A descoberta de Harlow foi significativa porque reorientou completamente a visão comportamentalista dominante da época. Essa visão dominante sugeria que os primatas, incluindo os seres humanos, funcionavam em ciclos de recompensa e punição e formavam laços afetivos com quem satisfazia suas necessidades físicas, como fome e sede.
O alimento emocional não fazia parte do paradigma behaviorista. Então, quando Harlow fez seus experimentos, ele virou a teoria predominante de cabeça para baixo.
A preferência dos macacos pelo alimento emocional, na forma de abraçar a "mãe" substituta coberta por uma toalha felpuda, formou a base para o desenvolvimento da teoria do apego.
A teoria do apego postula que o desenvolvimento saudável da criança ocorre quando ela está "seguramente apegada" ao seu cuidador. Isso é alcançado quando os pais ou cuidadores fornecem nutrição emocional, cuidado, gentileza e atenção à criança. O apego inseguro ocorre quando os pais ou cuidadores são frios, distantes, abusivos ou negligentes.
Assim como os macacos-rhesus, você pode alimentar um bebê humano com tudo o que ele precisa, dar-lhe toda a nutrição alimentar necessária, mas, se não lhe proporcionar carinho e amor, ele não vai formar um vínculo com você.

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