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São Paulo começa a monitorar o calor urbano

10/02/2026

A cidade de São Paulo registrou três recordes de calor para o mês de dezembro, chegando a atingir 37,2ºC. Recentemente, um estudo revelou que as altas temperaturas revelam mais uma dimensão da crise habitacional da cidade: a favela de Paraisópolis registrou 15°C a mais do que o bairro do Morumbi entre o final de 2024 e o início de 2025. Diante do aumento das temperaturas e da desigualdade térmica entre regiões da cidade, a Prefeitura de São Paulo lança o SampaAdapta.
A iniciativa integra ciência, gestão pública e participação social para fortalecer e aprimorar políticas públicas voltadas ao enfrentamento do calor extremo, à proteção de populações vulneráveis e ao planejamento urbano baseado nas mudanças climáticas.
O projeto surge a partir da análise do cenário urbano atual, que revela diferenças de temperatura entre distintas regiões da cidade — fator que amplia riscos à saúde pública, especialmente entre idosos. O SampaAdapta tem como objetivo mapear e propor uma rede de espaços de conforto térmico, reforçar políticas de saúde e de áreas verdes e estimular o engajamento da população, além da troca de boas práticas com cidades de diferentes países.
A iniciativa é resultado da parceria entre a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e a Parceria por Cidades Saudáveis, com apoio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e suporte técnico do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP). A Parceria por Cidades Saudáveis reúne mais de 70 cidades comprometidas com a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e lesões, com apoio da Bloomberg Philanthropies em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies. O SampaAdapta está inserido no Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PLANCLIMA SP) e no Plano Municipal de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres (PLANPAVEL).
“Vamos enfrentar um verão de altas temperaturas e isso exige políticas públicas de adaptação baseadas em evidências. A adaptação não é apenas uma política pública, é um ato coletivo de cuidado”, afirma o Secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Kenji de Souza Ashiuchi.
O SampaAdapta tem como eixo central a coleta e análise integrada de dados de calor e saúde. Sensores climáticos estão sendo instalados em residências, serviços, parques, escolas e unidades de saúde, permitindo monitorar as condições térmicas em diferentes contextos urbanos. As informações obtidas irão subsidiar ações de adaptação climática, como estratégias para melhorar o conforto térmico e diretrizes para a requalificação de parques e praças.
Ao coletar dados diretamente nos locais onde as pessoas vivem e trabalham, o projeto possibilita uma leitura mais precisa da cidade e a construção de soluções mais justas e eficazes para enfrentar o calor extremo.
“Cada sensor instalado nos ajuda a entender como os fluxos de calor se manifestam em diferentes tipologias urbanas e regiões da cidade, e como isso pode ajudar nas ações infraestruturais de melhoria da saúde e do bem-estar. A ciência tem um papel central na adaptação climática, e estamos comprometidos em oferecer dados de alta acurácia para colaborar na elaboração de políticas públicas”, explica o professor titular do IAG/USP e coordenador científico da parceria com o SampaAdapta, Humberto Ribeiro da Rocha.
Na etapa inicial, o SampaAdapta prevê a instalação de 25 sensores climáticos distribuídos pelas cinco regiões da cidade. Foram selecionados cinco territórios para compor a primeira fase da rede: Perus (Norte), M’Boi Mirim (Sul), Jardim Helena (Leste), Raposo Tavares (Oeste) e Brás (Centro). Em cada área, sensores internos e externos permitem a comparação de microclimas e a análise do comportamento do calor em diferentes ambientes.
A escolha dos locais seguiu critérios científicos e sociais, buscando ampliar a representatividade dos dados a partir de pontos estratégicos da cidade. Os sensores foram instalados em equipamentos públicos, edificações residenciais e de serviços, com a anuência voluntária dos proprietários e responsáveis pelos espaços.

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