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Ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história

15/01/2026

O ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história. Os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes da história. A média do último triênio, pela primeira vez, é superior ao aquecimento de 1,5°C preconizado pelo Acordo de Paris. As marcas foram confirmadas nesta quarta-feira (14) pelo Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia.
É difícil ignorar a excepcionalidade dos últimos três anos nos gráficos do GCH 2025, compilado de dados anual da instituição. Os tons alaranjados e vermelhos, sinal de variação acima da média de temperatura, ganham intensidade notável a partir de 2023.
Todos os recordes mensais de calor foram quebrados nesse período: setembro de 2023, com aquecimento de 0,93°C em relação ao período de referência (1991-2000), mantém-se como a maior variação já registrada; janeiro de 2025, com 0,79°C a mais do que a média, é o janeiro mais quente já verificado pelo Copernicus, que acompanha o clima desde a década de 1940.
Há um ano, enquanto o recorde se construía, grandes partes do condado de Los Angeles queimavam com o incêndio Eaton, um dos 14 que assolaram o sul da Califórnia naquela temporada. Ao menos 19 pessoas morreram e 9.000 edificações foram destruídas.
"Em 2025, era na Califórnia. Agora, já temos incêndios florestais recordes na Austrália devido às ondas de calor e às condições de seca", afirma Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).
"Não podemos culpar o clima por nenhum desses eventos isoladamente. Mas a mudanças climática os torna muito mais prováveis e aumenta consideravelmente o risco de desastres."
Em 2025, a temperatura média global teve elevação de 1,47°C em relação aos níveis pré-industriais (1850-1900), após o aquecimento de 1,6°C de 2024, o ano mais quente já registrado, e o de 1,48°C em 2023. O ritmo atual indica que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma consistente em algum momento de 2029 —mais de uma década antes do previsto quando o Acordo de Paris foi assinado, em 2015.
O calor excessivo dos últimos anos, segundo o Copernicus, se explica pelo acúmulo de gases de efeito estufa, provocado sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, cujas emissões bateram um novo recorde em 2025, mas também pela alta temperatura da superfície dos oceanos.
"Em parte se deve à variabilidade causada pelo El Niño que observamos no final de 2023 e 2024. Mas, mesmo em 2025, quando não tivemos El Niño, ainda observamos temperaturas excepcionais da superfície do mar, mais altas do que as registradas anteriormente", pondera Burgess.
A especialista lista outros fatores que proporcionaram um maior aquecimento nos últimos anos, como a menor emissão de aerossóis na atmosfera desde 2010 no leste asiático e a redução do teor de enxofre em combustíveis navais. A bem-vinda diminuição de partículas no ar aumenta a exposição do planeta à radiação solar.
Assim como em 2023 e 2024, uma parte significativa do globo experimentou calor acima da média em 2025. As temperaturas do ar e da superfície dos oceanos nos trópicos foram mais baixas do que nos dois anos anteriores, mas, em diversas outras áreas, muito acima da média.
O calor mais moderado dos trópicos foi compensado parcialmente por temperaturas mais altas nas regiões polares —a média anual atingiu o valor mais alto já registrado na Antártica e o segundo mais alto no Ártico. Temperaturas anuais recordes também foram observadas no noroeste e sudoeste do Pacífico, no nordeste do Atlântico, no extremo leste e noroeste da Europa e na Ásia Central.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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