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Projetos artísticos ajudam a preservar o oceano no sul do Brasil

02/12/2025

A COP30, em Belém (PA), foi o destino final do casal Diulie Tavares e Rafael Langella, que percorreu 18 mil km do litoral brasileiro na expedição itinerante Somos do Mar. Ao lado de voluntários do sul do Brasil, eles protagonizam projetos que envolvem arte, ciência e conservação oceânica.
A ideia é reunir soluções inspiradoras para a Década do Oceano, uma proposta das Nações Unidas para preservação marítima, com foco em ações coletivas contra a poluição ambiental.
O projeto Somos do Mar seguiu do Rio Grande do Sul ao Ceará a bordo de um motorhome, com o qual o oceanógrafo Langella e a engenheira ambiental Diulie levaram arte oceânica, desde 2019, para praças e escolas.
Nesse período, foram 45 mil espectadores, 170 ações e 63 municípios. O espetáculo "Mar de Soluções" e as oficinas de cultura oceânica foram apresentados para crianças e adultos.
Além disso, foram feitos cursos online para professores e lançados livros infantojuvenis sobre os problemas do lixo no mar e das mudanças climáticas.
"Nosso trabalho é uma gota no oceano, mas às vezes tudo o que precisamos é uma gota para transbordar e mudar hábitos", diz Diulie, relembrando famílias que relataram mudança de hábitos após assistir ao espetáculo. "Passaram a separar o lixo e a olhar o oceano com outros olhos. Tornaram-se multiplicadores, mostrando o impacto das narrativas que levamos."
A arte, pontua Diulie, permite falar de assuntos complexos de forma leve e com sentimento. "Fica mais fácil tocar as pessoas e promover mudanças, levar possibilidades e motivação para cada um fazer sua parte."
Depois da COP30, o casal está retornando para Santa Catarina, de onde planeja uma nova expedição, desta vez pela costa da América Latina.
Também em Santa Catarina nasceu o Tartaruga-de-Mamão, projeto de extensão universitária inspirado no folclore catarinense do boi-de-mamão (semelhante ao boi-bumbá), no qual o boi dá lugar à tartaruga.
Criado em 2017, ele envolve 60 pessoas do Campus Itajaí do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), dos grupos Tarrafa Elétrica e Pequeninus e da comunidade local. Escolas e espaços públicos são palco da peça musical, que mescla arte e cultura popular afro-brasileira para contar a história de uma tartaruga prejudicada pelo lixo no mar.
Foram 80 apresentações em 18 cidades, além da produção de videoaulas, videoclipes, oficinas de arte e materiais pedagógicos digitais. O trabalho não parou nem na pandemia, com interações online com crianças.
"Fortalecemos também a autoestima e o senso de comunidade nos participantes", explica o idealizador, Rodrigo Cavaleri, oceanógrafo e professor do IFSC. "Tudo é executado de forma coletiva, com oficinas participativas."
Agora, o grupo cria novos instrumentos musicais e personagens para a próxima peça. "Também são abordados temas como a sobrepesca, a proteção dos oceanos e o consumo responsável", reforça a coordenadora do trabalho, Rose Fernandes, do IFSC. "Trabalhamos educação ambiental e as relações étnico-raciais por meio da ciência, arte e cultura oceânica."
Já no Paraná, o projeto Coalizão foi endossado pela Unesco (braço da ONU para educação, ciência e cultura) como uma das iniciativas da Década do Oceano. Ele envolve cientistas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), IFPR (Instituto Federal do Paraná) e Unespar (Universidade Estadual do Paraná) que construíram uma rede colaborativa.
"Falamos de ciência e arte, trabalhando juntos para chegar a diferentes atores da sociedade", conta Camila Domit, doutora em biodiversidade marinha e coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR.
O grupo já criou dois documentários com foco na biodiversidade marinha e valorização da população caiçara do Paraná. Um deles é o "Trecho Seis", curta-metragem que mostra o resgate e a recuperação de pinguins encontrados no litoral do estado.

Esta reportagem pode ser lida por completa acessando a Folha de S. Paulo

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