
04/11/2025
A seca que atinge Tartarugalzinho, no Amapá, tem prejudicado a rotina de cerca de 800 pescadores da Região dos Lagos. Segundo a colônia local, eles estão conseguindo pescar apenas para o próprio consumo. A pesca é uma das principais atividades econômicas da cidade.
É o terceiro ano seguido que Tartarugalzinho sofre com a seca e o aumento das queimadas. Imagens feitas na semana passada mostram que o principal rio da região virou uma poça d’água.
A Prefeitura decretou situação de emergência em 27 de outubro. O objetivo é conseguir apoio dos governos estadual e federal, com estrutura e recursos financeiros, para reduzir os impactos da estiagem.
Pescadores, agricultores familiares e produtores rurais são os mais prejudicados. A crise afeta diretamente a economia local, que depende da produção para abastecer outras regiões do Estado.
De acordo com Ana Paula Pantoja Foro, presidente da colônia de pescadores, entre as comunidades afetadas estão: a Logo Novo, Aporema e Terra Firme.
“A situação está muito difícil. Os pescadores vendem pouco peixe e não conseguem sustentar suas famílias. Eles vivem disso. Sem venda, não há renda. Estão pescando só para consumo”, disse Foro.
Segundo Foro, cada pescador costuma ganhar cerca de R$ 1.400 por mês. Com a seca, o prejuízo total já passa de R$ 1 milhão.
Em tempos normais, os pescadores vendem os peixes para atravessadores, que passam pelas comunidades e revendem o produto.
“Sem peixe, não tem trabalho nem para os pescadores nem para os atravessadores. Eles nem estão indo mais às comunidades”, afirmou Foro.
A colônia está mapeando as áreas mais atingidas para direcionar recursos com apoio da Defesa Civil municipal.
A seca é tão forte que o caminho antes usado pelos ribeirinhos virou um trecho de lama, segundo imagens recentes. Um vídeo mostra um pescador encostando o remo no fundo do rio, que antes era fonte de renda.
Além da falta de peixe, há risco de escassez de água potável e isolamento das comunidades.
O prefeito da cidade, Bruno Mineiro, informou que foi criada uma força-tarefa com apoio da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Vigiágua.
“Mais um ano difícil. Já é o terceiro seguido de seca. Muitos poços estão secos e as comunidades pedem socorro”, disse o gestor.
Poços artesianos já foram abertos em parceria com a Codevasf. Novos poços estão previstos para atender as áreas mais afetadas. Técnicos também avaliam a qualidade da água na cidade.
Fonte: g1
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