
04/11/2025
Desde 1990, o 0,1% mais rico da população mundial aumentou em 32% sua participação nas emissões globais de CO₂, enquanto a metade mais pobre viu sua parcela cair 3%. Se todos emitissem como os mais ricos, o orçamento global de carbono (limite de emissões possível antes de provocar o colapso climático) iria se esgotar em menos de três semanas.
Para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, esse grupo precisaria reduzir suas emissões individuais em 99% até 2030. Enquanto isso, uma pessoa do 0,1% mais rico emite, em média, mais de 800 kg de CO₂ por dia — equivalente ao peso que nem a pessoa mais forte do mundo conseguiria levantar”; em contraste, “uma pessoa que faz parte dos 50% mais pobres emite cerca de 2 kg por dia, peso que uma criança pequena poderia erguer.
Às vésperas da COP30 em Belém, o estilo de vida altamente poluente dos super-ricos está esgotando rapidamente o orçamento de carbono restante do planeta — o limite de emissões de CO₂ que ainda permite evitar uma catástrofe climática. A pesquisa detalha como bilionários usam sua influência política e econômica para manter a humanidade dependente de combustíveis fósseis e maximizar seus lucros privados.
O estudo “Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso” evidencia que uma pessoa do grupo 0,1% mais rico do mundo emite, em um único dia, mais carbono do que a metade mais pobre da humanidade durante todo o ano”
Além de consumir carbono, os super-ricos lucram com empresas altamente poluentes. Segundo a Oxfam, o bilionário médio produz 1,9 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano por meio de seus investimentos”, equivalente a “quase 10 mil voltas ao redor do mundo em um jato particular.
Quase 60% de seus investimentos estão em setores de alto impacto climático, como petróleo, gás e mineração. Suas carteiras de investimento emitem duas vezes e meia mais carbono do que o investimento médio listado no índice S&P Global 1.200. Surpreendentemente, as emissões combinadas das carteiras de investimento de apenas 308 bilionários superam as emissões somadas de 118 países.
“A crise climática é uma crise de desigualdade. Os indivíduos mais ricos do planeta financiam e lucram com a destruição do clima, enquanto a maioria da população mundial paga o preço das consequências fatais do seu poder sem controle”, afirma Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.
O poder concentrado permite influência injusta sobre políticas públicas e o enfraquecimento das negociações climáticas. Na COP29, foram concedidas 1.773 credenciais a lobistas dos setores de carvão, petróleo e gás — mais do que o número total de representantes dos 10 países mais vulneráveis ao clima. Além disso, países ricos e grandes emissores (como Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha) afrouxaram suas leis climáticas após receberem grandes doações de grupos contrários à ação climática.
“É um absurdo que tamanho poder e riqueza estejam concentrados nas mãos de poucos — e que eles usem isso para manter sua influência e nos empurrar rumo à destruição planetária. Esses super-ricos e as corporações que comandam têm um histórico mortal de financiar lobistas, espalhar desinformação e processar ONGs e governos que tentam detê-los. Precisamos quebrar o controle dos super-ricos sobre a política climática: taxar suas fortunas, proibir seu lobby e colocar as populações mais afetadas no centro das decisões”, acrescenta Behar.
As emissões do 1% mais rico devem causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século e gerar US$ 44 trilhões em danos econômicos a países de baixa e média renda até 2050. Esses impactos atingirão de forma desproporcional quem menos contribuiu para a crise climática, especialmente pessoas que vivem no Sul Global, mulheres, meninas e grupos indígenas.
Enquanto se prepara para sediar a COP30, o Brasil enfrenta alertas para as desigualdades nacionais na crise climática. Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, destaca que não podemos ignorar que a crise climática é também uma crise de desigualdade profundamente enraizada em nosso país. Os mais ricos, muitos deles ligados a setores poluentes (como o agronegócio) e à extração de recursos, emitem centenas de vezes mais do que a maioria da população, enquanto comunidades periféricas, indígenas, quilombolas e lideradas por mulheres negras arcam com as piores consequências. São elas que enfrentam enchentes, calor extremo e falta de serviços básicos, num claro exemplo de racismo ambiental.
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