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Escola agrícola é ilha verde em cidade que mais desmata no Maranhão

28/10/2025

Na estrada entre o centro da cidade de Balsas, no sul do Maranhão, e a zona rural da região de Porto Isidoro, a vegetação verde característica do cerrado começa a diminuir até restarem apenas zonas descampadas —plantações de soja e milho que, após a colheita, formam paisagens que os moradores chamam de "deserto".
Lá a Efarp (Escola Família Agrícola Rio Peixe), com área de 2.000 hectares dentro de um assentamento rural, é uma espécie de ilha verde onde professores ensinam práticas agroecológicas aos alunos.
Nos últimos cinco anos, Balsas saiu da 20ª colocação para a segunda entre as cidades que mais desmatam no país, ficando atrás apenas de São Desidério (BA), conforme dados do RAD (Relatório Anual do Desmatamento), divulgados pela plataforma MapBiomas.
O município é conhecido como capital do Matopiba no estado, uma das fronteiras agrícolas que mais crescem no país e a área que mais emite gases de efeito estufa no cerrado.
Os moradores de Porto Isidoro observam o avanço do desmatamento que os deixou ilhados por monoculturas há pelo menos 40 anos. Agora, preocupam-se cada vez mais com o calor extenuante, a irregularidade das chuvas, a perda da biodiversidade e a diminuição de recursos hídricos.
"Nós somos um coração pulsante pelejando para sobreviver", diz Jackson Feitosa, 43, professor da escola agrícola e presidente da Associação São Francisco do Povoado Boqueirão.
Nascido a cerca de 12 km de onde hoje fica a escola, Jackson diz que conheceu o território totalmente preservado. "Agora, só tem essa área nossa, de 6.000 hectares [somando a escola e os assentamentos rurais]."
Seu tio, Antônio Pereira, 73, viu as primeiras fazendas chegarem, na década de 1980, a mais de 100 quilômetros de onde mora. Hoje, é vizinho de uma lavoura. Por causa dela, não usa mais a água do córrego que fica na sua terra: "Tenho medo dos agrotóxicos."
O diretor da Efarp, Antônio Carlos de Lima, 51, conta que na fundação da escola, em 1998, os territórios ao seu redor eram de camponeses. Com a grilagem e a pressão dos grandes produtores, relata, a maioria foi embora.
Desapareceram também, dizem os moradores, emas, onças, capivaras e espécies de abelhas tradicionais, assim como a maioria das árvores de pequi e caju. Riachos antes perenes começaram a secar durante as épocas sem chuva.
"O rio Balsas é nossa maior riqueza. Daqui até a nascente dele, são 100 km. Dez anos atrás, não tinha nada desmatado. Hoje, é lavoura de um lado e de outro. Isso é uma preocupação", diz Jackson.

Termine de ler esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo

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