
09/09/2025
Na Ilha Middle, localizada na costa de Warrnambool, no sul da Austrália, os menores pinguins do mundo estavam prestes a desaparecer. A solução surgiu de forma inesperada: cães da raça Maremma passaram a proteger a colônia, garantindo que os predadores se mantivessem afastados. O que começou como um teste improvisado se transformou em um modelo mundial de conservação.
Os pinguins-pequenos (Eudyptula minor), também chamados pinguins-fada, sofrem com a presença de raposas-vermelhas, introduzidas na região, e com o aumento da atividade humana. Na Ilha Middle, apesar de ser originalmente uma área segura, as raposas conseguiam atravessar durante a maré baixa. Em poucos anos, a população despencou de quase 1.000 para menos de 10 indivíduos.
Em 2005, um estudante de ciências ambientais que trabalhava em uma granja percebeu que os cães Maremma eram extremamente eficientes em proteger galinhas contra predadores. Surgiu então a ideia de aplicá-los na proteção dos pinguins.
A primeira tentativa não teve sucesso. Os cães adultos não estavam acostumados com o ambiente nem com os animais que deveriam proteger. A segunda tentativa foi decisiva: dois filhotes, Eudy e Tula, foram criados para esse propósito. Eles aprenderam a reconhecer os pinguins como parte do seu grupo e permaneceram na ilha durante a época de reprodução, afastando as raposas apenas com sua presença e latidos.
Com Eudy e Tula, a população de pinguins começou a crescer novamente. Hoje, centenas de indivíduos vivem na ilha, sinalizando uma recuperação gradual, ainda abaixo do número histórico, mas com tendência positiva. O projeto vai além do impacto ambiental: tornou-se um símbolo local, inspirou o filme Oddball e motivou ações semelhantes em outras regiões, incluindo a proteção de aves nativas nos Estados Unidos e na Austrália Ocidental.
A Maremma é originária da Itália, criada há séculos para proteger o gado dos lobos. Seu instinto protetor, resistência a condições adversas e habilidade de conviver com outras espécies a tornam uma aliada valiosa na conservação da vida selvagem. Os cães atuam de forma independente, sem necessidade de supervisão constante. Desde filhotes, eles desenvolvem vínculo com os pinguins, mantendo contato humano mínimo. Assim, não representam risco para os animais que protegem.
O modelo de Middle Island inspirou outros projetos que usam animais domesticados para proteger ecossistemas frágeis. Na África do Sul e na Namíbia, cães pastores estão sendo treinados para afugentar predadores do gado, diminuindo conflitos entre humanos e fauna selvagem. Ainda assim, a estratégia exige planejamento, infraestrutura e pessoal qualificado. Nem todos os habitats são adequados: ilhas com biodiversidade extremamente delicada exigem cuidados especiais para que a presença de cães não cause impactos negativos.
Além disso, desafios estruturais continuam, como erosão costeira, elevação do nível do mar e ondas de calor extremas, que prejudicam a reprodução de várias espécies marinhas na Austrália. Proteger o ambiente natural e gerenciar o turismo de forma responsável é essencial para que a recuperação dos pinguins continue.
Fonte: CicloVivo
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