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Mais de 650 pinguins-de-magalhães são achados mortos no litoral de SP em uma semana

26/08/2025

O IPeC (Instituto de Pesquisas Cananéia) encontrou, em seus últimos monitoramentos na Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, mais de 650 pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) encalhados, todos já sem vida e em estágio avançado de decomposição.
À Folha o instituto disse que o número, considerado grande, foi contado desde o dia 15 de agosto.
Devido ao estágio em que os corpos foram encontrados, não é possível chegar à causa exata das mortes, mas o instituto afirma que entre as hipóteses estão os efeitos da migração por longas distâncias, dificuldade em encontrar alimento, parasitoses, quadros infeciosos e a interação com a pesca.
O IPeC pede que a população comunique se encontrar algum animal marinho debilitado na região de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida. Os telefones indicados são (13) 3851-1779; 0800-642-3341; e (13) 99691-7851 (WhatsApp).
A organização adverte que, ao avistar um pinguim ou qualquer outro animal marinho encalhado, a população não deve tocá-lo nem oferecer comida, tampouco tentar devolvê-lo ao mar, já que esse tipo de iniciativa pode causar ainda mais estresse ou agravar o estado de saúde do animal.
A orientação é acionar imediatamente autoridades ou equipes técnicas responsáveis pelo atendimento.
Em julho, 43 pinguins-de-magalhães juvenis foram encontrados mortos nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, segundo informações do Instituto Argonauta, responsável regional pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos.
No caso de julho, ao todo, foram 47 animais achados encalhados. Os 4 que estavam vivos passaram por atendimento veterinário e foram encaminhados para reabilitação em centros especializados.
Os pinguins-de-magalhães, originários da Patagônia, no Chile e na Argentina, costumam aparecer nas praias paulistas entre os meses de junho e setembro. Em uma longa rota migratória, eles partem do sul do continente americano durante o inverno, em busca de alimento e águas mais quentes.
"A presença de juvenis debilitados é esperada neste período de migração, e o trabalho das equipes em campo permite identificar rapidamente os casos e direcionar o atendimento adequado", explicou à época uma das coordenadoras do Instituto Argonauta, Carla Beatriz Barbosa.
As fêmeas dos pinguins-de-magalhães colocam dois ovos de outubro a novembro, sendo que a maioria deles se desenvolve de meados de novembro ao início de dezembro. Depois do nascimento, os pais revezam-se na alimentação dos filhotes durante três a quatro semanas.
Após um mês, os pais vão juntos em busca de alimentos, enquanto os filhotes são deixados sozinhos, começando a formação de grupos de filhotes próximos aos ninhos e sem a presença dos pais.
Os pinguins jovens vão para o mar com aproximadamente três meses de idade, permanecendo nele durante cinco anos e voltando para o continente apenas para fazer a troca de penas. Após esse grande período ao mar, eles voltam para suas colônias para iniciar seu ciclo reprodutivo.
Ainda que não seja considerada ameaçada de extinção, a população da espécie vem diminuindo. Entre os principais fatores de risco estão a poluição marinha, a sobrepesca e os efeitos das mudanças climáticas sobre suas rotas migratórias e áreas de alimentação.

Fonte: Folha de S. Paulo

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