
26/06/2025
Em dezenas de milhares de mutirões de limpeza realizados nos Estados Unidos nos últimos anos, voluntários registraram cada item de lixo retirado das margens de lagos, rios e praias em um banco de dados global.
Um dos itens mais comuns? Sacolas plásticas.
Mas, em localidades norte-americanas onde o uso de sacolas plásticas passou a ser tarifado ou proibido, menos sacolas chegam às margens da água, segundo pesquisa publicada na quinta-feira (19) na revista Science.
Leves e abundantes, as sacolas plásticas finas frequentemente escapam de latas de lixo e recipientes de reciclagem, são levadas pelo vento e acabam em corpos d’água, onde representam sérios riscos à vida selvagem —animais podem se enroscar nelas ou ingeri-las. Além disso, essas sacolas se degradam em microplásticos prejudiciais, já encontrados praticamente em todo o planeta.
Com base em dados compilados pela ONG Ocean Conservancy, pesquisadores analisaram os resultados de 45.067 limpezas de margem realizadas entre 2016 e 2023, além de uma amostra de 182 políticas estaduais e locais que passaram a regulamentar sacolas plásticas entre 2017 e 2023.
Eles constataram que áreas que adotaram essas políticas registraram de 25% a 47% menos sacolas plásticas entre os resíduos recolhidos nas margens, em comparação com regiões sem políticas similares. Quanto mais tempo a regra estava em vigor, maior era a redução.
"Essas políticas são eficazes, especialmente em locais com alta concentração de lixo plástico", afirmou Anna Papp, uma das autoras e economista ambiental no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
O estudo considerou diferentes tipos de normas: proibição total, proibição parcial (que permite o uso de sacolas mais espessas, classificadas como "reutilizáveis") e cobrança de taxa no momento da compra. Proibições totais e cobrança de taxa levaram a reduções mais expressivas do que as proibições parciais.
A quantidade total de sacolas plásticas encontradas nas margens aumentou ao longo do período analisado —tanto em locais com regulamentações quanto naqueles sem—, mas o crescimento foi significativamente menor nas áreas com proibição ou cobrança.
"Essas medidas desaceleram o ritmo do lixo por sacolas plásticas", disse Kimberly Oremus, outra autora do estudo e economista ambiental na Universidade de Delaware. "Não é uma reversão. Não é uma eliminação."
Fonte: Folha de S. Paulo
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