
20/05/2025
O avanço da energia limpa na China levou à queda de 1,6% na emissão de dióxido de carbono (CO2) no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período no ano passado, segundo novo relatório. Contando os 12 meses mais recentes, a queda foi de 1%.
Segundo o pesquisador finlandês Lauri Myllyvirta, autor do estudo para o Carbon Brief, "pela primeira vez, apesar do rápido crescimento da demanda por energia no país", o aumento na capacidade de geração solar, eólica e nuclear fez que os lançamentos de CO2 fossem reduzidos.
As emissões atingiram um platô em março do ano passado, mas este é o primeiro dado anualizado que aponta para uma redução estrutural, cinco anos antes da meta chinesa.
As quedas anteriores se deveram à menor demanda por energia, como sublinham Myllyvirta, que é fundador do Centro de Investigação em Energia e Ar Limpo de Helsinque, e outros analistas, como David Fishman, da consultoria de eletricidade The Lantau Group, em Xangai.
Foi assim em 2009, pelos efeitos da crise financeira iniciada nos Estados Unidos; em 2012, pela crise na área do euro; em 2015, pelo desaquecimento do setor de construção; e em 2022, pelas restrições da Covid Zero na China, mas já então combinadas ao aumento em energia limpa.
É preciso agora que a redução confirme ser sustentável. "A tendência deve continuar em 2025, mas as perspectivas para além disso dependem fortemente das metas de energia limpa e emissões do próximo plano quinquenal da China, no ano que vem", afirma o pesquisador finlandês.
Também não se sabe o efeito sobre as emissões da priorização dada por Pequim para o consumo interno, sobretudo após a guerra tarifária iniciada pelo governo americano, afetando a venda de produtos chineses nos EUA.
Uma eventual retomada do setor imobiliário, aponta Fishman, poderia reverter a tendência devido ao impacto do maior consumo de produtos de emissão elevada como cimento, vidro, aço e cerâmica.
Por outro lado, analistas chineses como TP Huang enfatizam que o setor de combustíveis fósseis para produtos químicos é o único em que as emissões ainda estão crescendo, refletindo o crescimento da indústria química no país, "mas isso vai se reverter em alguns anos".
Fonte: Folha de S. Paulo
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