
01/04/2025
A agricultura urbana é considerada pela ONU uma poderosa aliada no combate à fome e à mudança climática – dois grandes problemas que devem ser enfrentados em todo o mundo. Inserir as pessoas nesse processo é essencial. Um bom exemplo vem sendo implementado em Recife. Com ajuda da população, a capital pernambucana está criando seu primeiro corredor agroecológico.
Indo muito além do plantio de alface e ervas, comumente encontrados em projetos de hortas urbanas de prefeituras, a ideia da iniciativa é implementar o cultivo de sementes de arroz, crotalária, feijão, feijão-de-porco, gergelim, girassol, guandu, milho, entre outros alimentos. Algumas das espécies são especialmente pensadas para ajudar a enriquecer o solo e afastar “bichinhos indesejados”.
“Essa iniciativa une cultivo sem agrotóxicos e preservação da biodiversidade em áreas urbanas, enfrentando desafios como a escassez de espaços verdes e a desigualdade no acesso à terra. Estamos trazendo para o Recife um modelo consolidado há mais de uma década, com o objetivo de fortalecer a segurança alimentar, valorizar as sementes crioulas e promover territórios livres de transgênicos”, destaca Adriana Figueira, secretária executiva de Agricultura Urbana da cidade.
A ação inaugural para a implantação do corredor agroecológico ocorreu em 18 de março com o plantio de milho crioulo na Escola de Agroecologia do Recife – Sítio Natan Valle. Já na última segunda (24), um mutirão de plantio de milho ampliou a produção da Horta Comunitária Mãos de Milagres, no bairro do Ibura. Por lá, a Prefeitura do Recife já havia implantando uma farmácia viva e um pomar. Esta última ação incluiu milho em consórcio com feijão e jerimum.
“O milho cresce verticalmente, formando uma haste que serve de suporte para o feijão de corda, enquanto o jerimum atua como uma cobertura viva do solo. Essa interação evita o crescimento de ervas daninhas e outras plantas indesejadas, além de reduzir a incidência de parasitas. Uma planta ajuda a outra”, explica a técnica em Agroecologia da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana, Nathália Mesquita, em matéria publicada pela própria prefeitura.
Ao longo do mês, outros seis mutirões foram sendo realizados em diferentes locais da cidade, sendo que o último está marcado para o dia primeiro de abril no CAPS Espaço Livremente.
Os mutirões agroecológicos abrangem hortas comunitárias, escolas, creches e centros de convivência. Todas as atividades são abertas ao público e não exigem inscrição prévia.
Ações de restauração de áreas degradadas e desenvolvimento da agricultura urbana são consideradas formas de minimizar os impactos da mudança global do clima nas cidades.
“Ecossistemas urbanos em funcionamento ajudam a limpar nosso ar e água e sustentam nosso bem-estar, e oferecem oportunidades para descanso e diversão. Eles também podem abrigar uma surpreendente quantidade de biodiversidade”, destaca a ONU, que estabeleceu a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas – abrangendo o período de 2021 a 2030.
O incentivo à agricultura urbana como forma de reduzir a insegurança alimentar em áreas urbanas é outra grande vantagem. Um estudo do Instituto Escolhas, de 2020, apontou o potencial de abastecer com verduras e legumes cerca de 20 milhões de pessoas por ano a partir do cultivo em 60 mil hectares na região metropolitana de São Paulo. O potencial da agricultura urbana também foi analisado em Curitiba, Recife e Rio de Janeiro pelo mesmo órgão.
A produção e comercialização próxima ao consumidor possibilita a redução do desperdício de alimentos e das emissões de CO2, além de estimular a geração local de emprego e renda. Fortalecer a agricultura urbana ainda é um caminho para expandir as áreas verdes nas cidades, essenciais para amenizar as altas temperaturas em tempos de ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes. Com o corredor agroecológico, a união de todos esses benefícios são ainda mais visíveis.
Fonte: CicloVivo

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